Conservadores mostram apoio a Raisi e dão adeus a Rohani

Artemis Razmipour.

Teerã, 16 mai (EFE). - "Tchau, Rohani" repetiam aos gritos no centro de Teerã nesta terça-feira milhares de simpatizantes do candidato às eleições presidenciais Ebrahim Raisi, o importante clérigo em torno de quem a ala conservadora iraniana se juntou.

Raisi reuniu uma multidão no complexo religioso de Mosala, onde esteve acompanhado do prefeito de Teerã, o também conservador Mohammad Baqer Qalibaf, que ontem abriu mão da corrida eleitoral em prol do religioso.

As frases mais ouvidas entre o público eram que pediam que o atual presidente, o moderado Hassan Rohani, não seja reeleito na próxima sexta-feira. Também foram cantadas músicas islâmicas - muitas delas elogiando os imãs xiitas -, e de cunho revolucionário - criticando o grande inimigo do Irã: os Estados Unidos.

Diante de um mar de bandeiras do Irã, o símbolo da sua campanha, Raisi agradeceu o apoio de Qalibaf, defendeu seus programas e criticou Rohani. Raisi afirmou que desde o início da campanha já tinha claro o programa para tirar o país da atual crise porque o "grande povo iraniano" não merece tanta pobreza e disparidades sociais.

"Conhecemos os problemas do país e sabemos os caminhos para sair deles", disse o clérigo, que afirmou que os principais desafios são a criação de postos de trabalho e a luta contra a corrupção.

Entre gritos e aplausos, deu lições ao governo de seu rival, afirmando que se a corrupção fosse controlada, milhares de empregos seriam gerados. Outra forma de combater o desemprego seria reduzir o contrabando, segundo o candidato, que prometeu criar pelo menos 1 milhão de novas vagas por ano.

Na mesma linha de críticas ao atual presidente do Irã, Qalibaf disse que ninguém esperava que chegassem ao poder pessoas que olhassem pelos mais humildes. Ele usou o slogan da campanha e afirmou que Rohani só se preocupa com as classes mais ricas: "não queremos um governo de 4%", acrescentou.

O público aplaudiu e levantou as bandeiras, apesar de quase não ter espaço na sala de orações, reservada para os homens, já que as mulheres acompanhavam o evento das varandas. Todas elas usavam um chador preto, véu que cobre a cabeça e o corpo, mas não o rosto, muito comum no Irã, em um ambiente oposto ao dos comícios de Rohani.

Uma delas era Nasr Abadi. A professora, de 48 anos, disse à Agencia Efe que vai votar em Raisi porque "não tem medo dos Estados Unidos e quer honrar o Irã islâmico" e sua religião.

"O povo do Irã não tem medo nem dos Estados Unidos nem de nenhum (país) arrogante. Os inimigos é que devem nos temer", afirmou, levada pela atmosfera antiamericana que reinava no local.

O aposentado Mohamad Asadi, por sua vez, justificou o voto em Raisi porque é o candidato que "não apenas ouviu os pobres, mas provou da pobreza".

No lado contrário, o primeiro vice-presidente, Eshaq Jahangiri, anunciou hoje sua renúncia à corrida eleitoral e pediu votos para Rohani, que quer "a tranquilidade, a segurança e o progresso para todo os iranianos".

"Com vocês, ajudaremos Rohani a continuar no caminho do desenvolvimento do país", defendeu ele, cuja decisão não surpreendeu, já que desde o início da campanha presidencial ficou claro que seu papel era o de apoio.

Com as saídas de Jahangiri e Qalibaf restam quatro candidatos. Como dois deles têm poucas chances de vencer, a disputa nas urnas será basicamente entre dois clérigos: Rohani e Raisi.

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