Polícia dominicana barra acampamento de manifestação em frente à Procuradoria

(Acrescenta sexto parágrafo)

Santo Domingo, 16 mai (EFE).- A Polícia Nacional dominicana impediu a instalação de um acampamento que vários movimentos populares pretendiam montar em frente à Procuradoria-Geral da República (PGR) para exigir que a divulgação dos documentos sobre as propinas da empreiteira Odebrecht no país.

Segundo denunciou Jesús Adón, um dos organizadores da iniciativa, os integrantes das forças de segurança agiram de forma repressiva contra os manifestantes, que montavam as barravas frente à PGR.

Adón afirmou que o confronto foi seguido pela detenção de nove pessoas, cinco delas organizadoras da iniciativa, que partiu dos mesmos jovens que na semana passada permaneceram várias horas dentro do prédio da Procuradoria-Geral para exigir o fim da impunidade.

Os outros quatro detidos, segundo o ativista, pertencem à empresa que levou até o local da mobilização o caminhão que transportava o acampamento que pretendiam instalar.

Adón explicou que um advogado está falando com seus companheiros detidos, para os quais pede "a libertação imediata", já que os organizadores tinham notificado as autoridades correspondentes sobre esta ação.

Posteriormente às detenções, a polícia impediu que um grupo de deputados entrasse nas instalações da Procuradoria-Geral, o que gerou resistência entre os legisladores e os membros das forças de segurança, que chegaram a usar bombas de fumaça.

O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Manuel María Mercedes, apontou que a atividade pacífica que os ativistas pretendiam fazer "é um direito constitucional", denunciou a atitude repressiva da polícia, e advertiu de que não irão "desistir desta atividade".

De acordo com Mercedes, apesar da repressão, todos permanecerão no acampamento até o sábado e, após exigir a liberdade dos detidos, afirmou que "os que deveriam estar presos são os corruptos" que receberam propinas da Odebrecht.

Enquanto isso, o procurador-geral da República Dominicana, Jean Alain Rodríguez garantiu que os envolvidos no caso no país serão submetidos à justiça e que a informação a respeito será processada assim que a PRG a receber do Brasil.

Ao atender a imprensa antes de participar da XXXIV Conferência Internacional para o Controle de Drogas, o procurador-geral disse que está "esperando essa informação".

"Assim que a tivermos, vamos processá-la para garantir que vamos a submeter à justiça todos aqueles que estão envolvidos no caso", afirmou.

No dia 19 de abril, um juiz dominicano validou um acordo entre a Procuradoria-Geral e a Odebrecht, que deverá pagar US$ 184 milhões, o dobro do que pagou em propina para ganhar licitações de obras públicas e revelar em 30 dias os nomes dos beneficiados, prazo que expira nesta sexta-feira.

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