Brasil articula segurança fronteiriça e reitera preocupação com Venezuela

Brasília, 17 mai (EFE).- O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou nesta quarta-feira que sua pasta articula planos de segurança fronteiriça com Peru e Colômbia e reiterou a preocupação "regional" com a situação na Venezuela e um possível agravamento da crise.

"O crime organizado, por um lado, se nacionaliza no Brasil e, por outro, se internacionaliza nas fronteiras", afirmou Jungmann em uma coletiva de imprensa com correspondentes estrangeiros.

Segundo o ministro, essa situação e a vizinhança do Brasil com "pelo menos quatro países" nos quais são produzidas cocaína e outras drogas impõem a necessidade de um combate conjunto a todos os delitos de caráter trasnacional, entre os quais situou como mais "preocupantes" o tráfico de drogas e de armas.

"Nenhum país pode combater essa situação sozinho, sem sociedades com seus vizinhos", declarou Jungmann, que discutiu esses assuntos com autoridades colombianas em uma visita que fez a Bogotá nesta semana e receberá seu homólogo peruano, Jorge Montesinos, na próxima sexta-feira na cidade fronteiriça de Tabatinga.

Os planos discutidos com Colômbia e Peru incluem manobras militares conjuntas que serão realizadas no próximo mês de novembro na Amazônia brasileira, na qual estarão presentes observadores de outros países, entre os quais citou os Estados Unidos.

Em relação à situação na Venezuela, Jungmann disse que é objeto de "preocupação" em "todos" os países fronteiriços e inclusive em nível "regional", principalmente pela onda migratória que poderia ser acarretada por um agravamento da crise e um eventual "conflito aberto".

No caso do Brasil, explicou que está em fase de preparativos um "plano de contingência", centrado em uma "preocupação" fundamentalmente "humanitária".

Segundo o ministro, a crise venezuelana e a crescente escassez de alimentos e remédios geraram um forte movimento migratório para Colômbia e Brasil, embora neste último caso em menor medida, que "nos obriga a estar preparados" para uma eventual chegada em massa de cidadãos desse país.

"Não queremos que a situação se agrave, mas temos o dever de defender a fronteira e preparar-se para um possível agravamento dessa crise significa preparar-se para atender uma maior pressão migratória", detalhou.

Segundo dados não oficiais, no Brasil se encontram atualmente 10.000 venezuelanos, distribuídos entre os estados de Roraima e Amazonas, pelos quais discorre uma linha fronteiriça de quase 2.000 quilômetros.

No entanto, Jungmann destacou que entre 6.000 e 8.000 venezuelanos atravessam essa fronteira a cada dia, sobretudo por Roraima, com a intenção de adquirir alimentos e remédios que escasseiam em seu país.

O ministro acrescentou que existem algumas "teses acadêmicas" segundo as quais um agravamento da crise na Venezuela e um possível "conflito aberto" poderiam levar dois milhões de pessoas a deixar esse país.

Segundo Jungmann, um conflito na Venezuela "pode ser um fator de desestabilização regional e global" e o Brasil "não pode permanecer calado" frente a essa hipótese.

O titular de Defesa acrescentou, no entanto, que o governo brasileiro considera que é possível e se devem "buscar os canais de interlocução adequados" para alcançar uma "solução política" a essa situação.

Nesse sentido, explicou que o governo de Michel Temer determinou que na próxima semana retornará a Caracas o embaixador brasileiro na Venezuela, Ruy Pereira, chamado para consultas no final do ano passado em meio a sérias tensões diplomáticas entre ambos países.

"Não se pode perder a oportunidade de tentar intermediar essa situação", disse o ministro, que reconheceu que as relações entre ambos governos não estão totalmente normalizadas, mas esclareceu que pelo menos no âmbito da Defesa "ótimas".

Nesse marco, anunciou que, em curto prazo, pretende convidar o general Vladimir Padrino López, ministro de Defesa da Venezuela, para conversar sobre assuntos de segurança fronteiriça como os tratados com as autoridades de Peru e Colômbia.

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