Chelsea Manning é libertada nos EUA após sete anos de prisão

Washington, 17 mai (EFE).- Após sete anos de prisão, Chelsea Manning, ex-soldado do Exército americano que vazou mais de 700 mil documentos sigilosos diplomáticos e militares ao Wikileaks, foi solto nesta quarta-feira graças ao perdão dado em janeiro pelo então presidente americano, Barack Obama.

Manning, de 29 anos, tinha recebido uma condenação de 35 anos, mas em janeiro Obama decidiu comutar parte da pena devido ao arrependimento que mostrou por vazar em 2010 ao portal Wikileaks um número recorde de documentos sobre as guerras do Iraque e Afeganistão e relativos ao Departamento de Estado.

Um porta-voz do Exército confirmou à Agência Efe que Manning deixou hoje a prisão de Fort Leavenworth (Kansas).

Depois de ter sido condenada a 35 anos de prisão, Manning anunciou que se sentia mulher e pediu para deixar de usar seu nome de nascimento, Bradley, para passar a ser chamada de Chelsea.

Pouco antes de conseguir liberdade, sua advogada, Nancy Hollander, disse à Agência Efe que Chelsea viveu estes últimos meses com "ansiedade" e com um grande desejo de poder sair da prisão para terminar o tratamento de mudança de sexo que iniciou na prisão militar de Kansas, onde não foi fácil ter acesso a cosméticos e roupa feminina.

"Foi muito difícil para ela viver como mulher em uma prisão para homens, o Exército a forçou a cortar o cabelo a cada duas semanas como um homem, em detrimento de seu conforto emocional. Foi muito difícil para ela e por isso está feliz de poder sair e viver como a mulher que é", explicou Hollander.

Em 2016, Manning tentou de se suicidar em duas ocasiões e conseguiu se recompor graças a um grupo de voluntários.

Na semana passada, na primeira declaração pública desde sua condena, Manning disse que espera "poder trabalhar para melhorar a vida dos demais "ao sair da prisão, mas não detalhou a que dedicará seus esforços.

"Espero aplicar as lições que aprendi, o amor que me deram e a esperança que tenho para trabalhar para melhorar a vida dos demais", comentou Manning em um comunicado distribuído por sua equipe legal e no qual expressou seu agradecimento a seus simpatizantes e a Obama.

A filtragem de mais de 700 mil documentos confidenciais ao WikiLeaks por parte de Manning foi a maior da história de Estados Unidos, supôs um forte revés para a diplomacia estado-unidense e alimentou um debate sobre o papel de Washington no mundo.

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