República Dominicana recebe informações do Brasil sobre subornos da Odebrecht

Santo Domingo, 17 mai (EFE).- A Procuradoria Geral de Justiça da República Dominicana informou que recebeu nesta quarta-feira as informações e documentações sobre o caso dos subornos pagos pela Odebrecht no país que foram enviadas pelas autoridades brasileiras.

A instituição explicou, em um comunicado, que uma equipe de técnicos, analistas fiscais e pessoal especializado do Ministério Público já iniciou a tradução legal destas "centenas de arquivos" recebidos, para confrontá-los e verificá-los com os milhares de dados solicitados durante a investigação local e com outros detalhes específicos subministrados pela construtora brasileira.

O organismo disse que isto confirma a informação que divulgou no último dia 19 de abril, de que em no máximo 30 dias teria em suas mãos a lista de quem, na República Dominicana, "a Odebrecht diz que recebeu pagamentos ilegais, bem como também, testemunhos, e-mails, livros, registros e documentos afines".

A procuradoria declarou também que, na medida em que a investigação deste caso e o cumprimento do indispensável processo legal permitam, "todas essas informações e documentações, sem exceção, serão de conhecimento público quando forem apresentadas perante os tribunais".

O órgão acrescentou que "em breve o povo poderá comprovar que todos os que as provas apontem que foram beneficiados com os subornos que Odebrecht admitiu ter pagado no país serão submetidos à Justiça e encarcerados, sem importar quem seja, nem o cargo ou a filiação política".

No último mês abril, um juiz dominicano validou um acordo entre a procuradoria e a Odebrecht, que deverá pagar US$ 184 milhões, o dobro do que entregou em subornos para obter contratos de obras públicas, e revelar os nomes dos beneficiados, em troca de que seus funcionários não sejam julgados no país.

Nesta terça-feira ocorreram incidentes na própria sede da Procuradoria Geral da República entre grupos populares que pretendiam instalar um acampamento em frente ao organismo para exigir que as autoridades locais informem os nomes dos envolvidos nos subornos.

Momentos depois um grupo de deputados opositores se apresentou à procuradoria para indagar sobre o incidente, mas foi impedido de entrar em meio a empurrões e bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia.

A procuradoria dominicana interrogou dezenas de funcionários, ex-responsáveis públicos, legisladores e ex-legisladores oficialistas e da oposição, como parte das investigações que dirige para determinar quem recebeu o pagamento de subornos.

O gerente geral da Odebrecht no país, Marcelo Hofke, revelou no último dia 10 de janeiro que seu representante comercial na República Dominicana, Ángel Rondón, foi quem recebeu e distribuiu os US$ 92 milhões, segundo explicou o procurador-geral após um depoimento do executivo.

Rondón reconheceu ter recebido uma quantidade similar a US$ 92 milhões das mãos da Odebrecht, mas afirmou que essa cifra corresponde a contratos de serviços de representação e não para efetuar subornos.

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