Milhares de brasileiros pedem saída de Temer e exigem eleições diretas

Carlos Meneses Sánchez.

São Paulo, 18 mai (EFE).- Com gritos de "Fora Temer", milhares de brasileiros foram às ruas de dezenas de cidades do país nesta quinta-feira para pedir eleições diretas e exigir a renúncia do presidente Michel Temer após as novas denúncias de corrupção que atingiram em cheio o governo e o senador Aécio Neves.

As manifestações foram convocadas pelas redes sociais por organizações da sociedade civil e também foram palco de protestos contra os cortes e as reformas econômicas promovidas por Temer.

No entanto, a gravação feita por um dos donos do Grupo JBS, Joesley Batista, na qual o presidente dá autorização para que o empresário compre o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha foi a gota d'água para gerar novos pedidos de saída de Temer do poder.

Por esse motivo, milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades do país, sendo os principais protestos no Rio de Janeiro, São Paulo e em Brasília, em meio a fortes esquemas de segurança.

No Rio, os manifestantes tomaram a Cinelândia, no centro da cidade, para pedir o fim do governo e eleições diretas. O ato acabou em violência após a Polícia Militar ter entrado em confronto com black blocs, lançando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

O novo escândalo que abala o Brasil explodiu na noite de ontem, quando o jornal "O Globo" revelou a existência de uma gravação que indica que Temer autorizou a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, preso por corrupção.

Em São Paulo, como já tinha ocorrido ontem, centenas de pessoas voltaram a ocupar a Avenida Paulista. Os manifestantes levaram um grande cartaz dizendo "Fora Todos". Alguns outros pediam a prisão de Temer e a convocação de uma nova greve geral.

Em Brasília, milhares de manifestantes tentaram cercar o Palácio do Planalto, mas os gritos contra Temer não chegaram até a sede da presidência devido ao perímetro de segurança feito pela PM.

Todas as manifestações foram acompanhadas por uma forte presença policial, com o objetivo de evitar os incidentes registrados durante a greve geral no último dia 28 de abril.

Por causa do escândalo, o Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação contra Temer, que já tinha sido citado nas delações da Odebrecht, também envolvida no escândalo de corrupção.

Em meio a boatos sobre uma possível renúncia, Temer fez um pronunciamento firme nesta quinta-feira e negou deixar a presidência.

Segundo a Constituição, se Temer renunciar ou sofrer impeachment, o Congresso deverá realizar uma eleição indireta para escolher que completará o mandato iniciado por Dilma Rousseff em 2015 e que termina em 1º de janeiro de 2019.

No entanto, o próprio Congresso poderia aprovar uma emenda constitucional para convocar uma eleição direta ainda neste ano.

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