Paquistão mata terroristas, mas não sua ideologia, dizem especialistas

Rawalpindi (Paquistão), 18 mai (EFE).- O Paquistão está matando terroristas nas operações militares contra a insurgência, mas não ataca sua ideologia, indicaram nesta quinta-feira especialistas em um seminário realizado na nação islâmica.

"Estamos matando terroristas, mas não o terrorismo e nem sua ideologia", disse Shoaib Suddle, especialista em crime e justiça, em um seminário organizado pelo Exército paquistanês sob o título "O rol da juventude na rejeição ao extremismo", realizado em Rawalpindi, cidade vizinha à capital.

Suddle indicou que o Paquistão está livrando uma guerra contra si mesmo, um conflito que nas últimas operações militares tiveram sucesso com uma redução em massa da violência.

Islamabad lançou em fevereiro uma nova operação militar em todo o país contra a insurgência, sob o nome de Radd-ul-Fasaad ("Eliminação da discórdia") após uma sequência de atentados que deixaram cerca de 130 mortos.

A ofensiva é uma continuação da operação Zarb-e-Azb, que começou nas zonas tribais em junho de 2014 e com a qual o Exército assegura ter matado 3,5 mil insurgentes, um número não comprovado independentemente.

No entanto, para Suddle não está sendo atacada nem a ideologia que provoca esse terrorismo e nem suas causas, entre as quais está um governo ruim, uma justiça fragmentada e a violência sectária.

Falta acabar com o financiamento dos grupos insurgentes, controlar as escolas mulçulmanas (escolas religiosas) e pôr fim aos discursos de ódio.

"O terrorismo não vai desaparecer pronto. Levará uma geração", assegurou Suddle.

O analista político e econômico Farrukh Saleem concordou que matar insurgentes não é suficiente.

"As operações militares cortam as folhas da árvore do terrorismo, mas não tocam nas raízes", afirmou Saleem no seminário.

Saleem indicou que o governo está vencendo no terreno de combate, mas "não começou a tocar na ideologia".

Como exemplo, apontou as estimadas 30 mil escolas mulçulmanas do país nas quais estudam cerca de 2 milhões de meninos, em muitos casos sós o corão.

Saleem apontou que as causas do terrorismo estão na injustiça social e política, presentes em sua opinião em Paquistão e que deve ser tratado para acabar com o extremismo.

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