"EI está encurralado em Mossul e não tem para onde ir", diz general dos EUA

Jairo Mejía.

Washington, 19 mai (EFE).- O Estado Islâmico (EI) está encurralado, sem escapatória e a ponto de perder seu principal reduto no Iraque, a cidade de Mossul, controlada pelo grupo há quase três anos, afirmou nesta sexta-feira em entrevista à Agência Efe o subcomandante da operação terrestre da coalizão internacional contra os jihadistas, o general de brigada dos Estados Unidos, Rick Uribe.

Os quase três anos que se passaram desde a queda de Mossul, perto do ápice de expansão do EI, e a iminente libertação da cidade, a segunda maior do Iraque, serviram, segundo Uribe, para tornar as forças iraquianas em uma defesa efetiva contra milícias jihadistas com ambições territoriais no futuro.

"O 'Daesh' (acrônimo em árabe do EI) está encurralado no oeste de Mossul, não tem para onde ir. No entanto, depois de Mossul, ainda teremos muito que fazer para acabar com essa ameaça", indicou Uribe em entrevista à Agência Efe.

O ataque surpresa a Mossul pelo EI em junho de 2014 colocou em dúvida a capacidade das Forças Armadas do Iraque. A ação fez com que alguns temessem pela queda de Bagdá e elevou o alerta em Washington, que lançou uma campanha de bombardeios aéreos e enviou de forma escalonada 5.200 soldados para assessorar e treinar os iraquianos.

"O EI demonstrou ser um inimigo capaz, além de diabólico e sem coração", explicou Uribe, da infantaria da Marinha que participou da II Guerra do Iraque que depôs Saddam Hussein, provocando o início de um período de instabilidade contra a ocupação dos EUA.

O EI, que com a tomada de Mossul começou uma fase de expansão que o levou a ocupar grande parte do Iraque e da Síria, deixou um cenário de destruição total por onde passou, explicou o general.

"As tropas iraquianas hoje estão em uma posição melhor e mais capacitadas do que antes. Lidaram com todo o peso do combate e fizeram isso muito bem", afirmou Uribe.

Os EUA decidiram aumentar a presença no Iraque após a ameaça do EI ainda sob o governo do ex-presidente Barack Obama, que limitou a atuação a um papel de assistência, e não de combate.

Os iraquianos tiveram apoio das milícias peshmergas da região autônoma do Curdistão iraquiano, que contribuíram para a ofensiva.

O Exército do Iraque precisou de mais de meio ano para libertar uma cidade que passou mais de dois anos sob o controle do EI, que usou o tempo para construir túneis e se preparar para uma batalha que foi especialmente complicada no centro antigo de Mossul.

A maior parte de Mossul já foi libertada das mãos dos terroristas, que estão cercados no oeste da cidade.

Apesar dos iraquianos comandarem a missão, os EUA continuam atuando com ataques aéreos, coordenando as informações de inteligência e contribuindo com influência militar e diplomática sobre a estratégia de longo prazo na região.

Em Washington, o secretário de Defesa, James Mattis, anunciou hoje que o presidente Donald Trump não quer continuar fazendo os combatentes fugirem de cidade em cidade. A partir de agora, o objetivo será "encurralar e aniquilar" os jihadistas dentro dos limites das "normas de atuação".

Segundo Uribe, o Pentágono terá mais autoridade no terreno, deixando de lado a burocracia de Washington e acelerando uma estratégia que tenta extirpar o extremismo da região.

A batalha de Mossul gerou mais de 670 mil deslocados internos, segundo as autoridades do Iraque, mas, lentamente, afirmou Uribe, as pessoas já voltam a uma vida normal nas regiões já liberadas da cidade, com mercados e escolas funcionando.

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