Justiça sueca encerra investigação a Assange e suspende ordem de detenção

Copenhague, 19 mai (EFE).- A Justiça sueca anunciou nesta sexta-feira o encerramento da investigação preliminar aberta em 2010 contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange, por um suposto crime de abuso sexual, o que significa a suspensão da ordem de detenção internacional contra o jornalista australiano.

O processo aberto na Suécia levou Assange a se refugiar há cinco anos na Embaixada do Equador em Londres para evitar ser extraditado ao país nórdico e, desde ali, aos Estados Unidos pelas filtragens do WikiLeaks.

"A procuradora-chefe Marianne Ny decidiu hoje encerrar a investigação a Julian Assange por um suposto abuso sexual (grau menor)", informou em um breve comunicado o Ministério Público, que facilitará mais detalhes em uma coletiva de imprensa anunciada para hoje ainda.

A defesa de Assange tinha apresentado há duas semanas perante um tribunal de Estocolmo um novo pedido para que fosse suspensa a ordem de detenção, apelando a declarações do Departamento de Justiça dos EUA sobre a possibilidade de apresentar acusações contra ele por seu envolvimento no suposto roubo de informação classificada.

O Ministério Público devia se pronunciar hoje sobre esse pedido, além de informar sobre a investigação dois meses depois de ter encerrado a tradução do interrogatório realizado em novembro pelo promotor equatoriano Wilson Toainga a Assange.

Assange, que vive na Embaixada de Equador em Londres há quase cinco anos, sempre se negou a se entregar à Suécia porque temia ser enviado depois aos Estados Unidos para enfrentar um julgamento militar pela informação divulgada no WikiLeaks.

"Considerando que todas as possibilidades de fazer avançar a investigação estão esgotadas, não parece proporcional - com base no critério do Supremo Tribunal - manter a decisão de detenção contra Assange e nem a ordem internacional", apontou Ny no documento apresentado perante o tribunal, reproduzido por vários meios suecos.

A defesa de Assange tinha pedido em duas ocasiões o encerramento do caso: em junho de 2014, apelando à paralisação do processo; e em fevereiro do ano passado, depois que um grupo de trabalho da ONU concluiu que a detenção do jornalista era arbitrária.

Em ambos casos, o Tribunal rejeitou a petição argumentando que Assange continuava sendo suspeito e que havia o risco de querer evitar um julgamento ou uma hipotética pena.

Assange foi interrogado em Londres, com uma lista de perguntas elaboradas por Estocolmo e em presença de duas funcionárias suecas, dando continuidade a um acordo alcançado meses antes entre Equador e Suécia.

No interrogatório, segundo a declaração divulgada por ele mesmo, reiterou sua inocência pelo delito sexual e denunciou o "abuso" do caso, que abrangia quatro delitos sexuais, reduzidos a um depois que três prescreveram.

Esse delito de abuso sexual "em grau menor" a uma jovem enquanto dormia continuava em vigor até 2020.

Assange foi detido pela polícia britânica em dezembro de 2010, e a partir daí começou um processo judicial que terminou em junho de 2012, quando o Supremo ordenou a extradição à Suécia e o jornalista se refugiou na legação equatoriana.

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