Com perfil moderado, Rohani promete projeto aberturista para o Irã

Marina Villén.

Teerã, 20 mai (EFE).- O presidente do Irã, Hassan Rohani, reeleito neste sábado para seu segundo mandato, é um clérigo moderado que conseguiu tirar o país do isolamento internacional, uma de suas bases junto com a promessa de conceder mais liberdades aos cidadãos.

Novamente beneficiado pelo consenso dos reformistas e moderados, Rohani venceu as eleições presidenciais realizadas ontem com 57% dos votos, muito à frente de seu principal adversário, o clérigo conservador Ebrahim Raisi, que obteve 38%.

As suas principais apostas eleitorais foram o acordo nuclear assinado em julho de 2015 com seis grandes potências e a recuperação econômica do país graças à suspensão das sanções, e ele também se apresentou como o fiador das liberdades e do progresso do Irã.

Apesar do aspecto sereno, Rohani não hesitou em abrir mão dessa característica para contra-atacar os adversários na corrida presidencial, defender sua gestão e ressaltar os riscos de isolamento internacional e mais rigidez aos princípios islâmicos em caso de vitória dos conservadores.

Durante a campanha, Rohani afirmou que os iranianos deviam escolher entre um governo totalitário e um que promove as liberdades: "Nossos jovens escolheram o caminho da liberdade", disse em um de seus comícios.

Figura mais importante da política iraniana desde a Revolução Islâmica de 1979, Rohani nasceu em novembro de 1948 na cidade de Sorkheh, onde aos 13 anos ingressou em um centro religioso.

Os estudos islâmicos foram continuados em famosos seminários xiitas da cidade de Qom e, a partir de 1969, conciliados com o curso de Direito na Universidade de Teerã, concluído em 1972.

Seguidor desde jovem do aiatolá Ruhollah Khomeini, Rohani percorreu o Irã para fazer campanha contra o xá Mohammad Reza Pahlevi, até que em 1977 foi obrigado a fugir após reconhecer em um discurso com o título de imã - máxima autoridade no islã xiita - aquele que dois anos depois fundou a República Islâmica.

Rohani se refugiou no Reino Unido, onde concluiu um mestrado em Direito Constitucional na Universidade Caledônia de Glasgow, onde também fez doutorado com uma tese intitulada "A flexibilidade da sharia, a lei islâmica".

Após seu retorno ao Irã, que coincidiu com o de Khomeini, no início de 1979, ocupou diversos cargos militares e políticos na recém-instaurada República Islâmica.

Rohani foi deputado de 1980 até o ano 2000, e posteriormente membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho do Discernimento, postos nos quais continua atualmente, e presidente do Centro de Estudos Estratégicos do Irã.

No âmbito militar, durante a guerra com o Iraque (1980-1988) ficou por seis anos no Conselho Superior de Defesa, do qual comandou a Defesa Aérea do Irã.

Entre 1989 e 2005, ocupou a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que o aproximou ao líder supremo, Ali Khamenei, nome que não parece contrário a Rohani, mas que na atual campanha eleitoral criticou sua gestão.

A partir de 2003, após a revelação de instalações nucleares não declarada previamente ao Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), Rohani dirigiu as negociações sobre o programa nuclear iraniano e conseguiu acalmar a tensão com algumas concessões.

Com a surpreendente vitória eleitoral em 2013, no primeiro turno e com 50,68% dos votos graças ao apoio decisivo dos ex-presidentes reformistas Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, prometeu uma abertura para Ocidente para impulsionar a economia.

No entanto, a economia não conseguiu decolar, e no plano dos direitos humanos e liberdades, os avanços também não foram muito notáveis por conta da oposição da ala rígida do sistema, continuando com os principais líderes reformistas dos protestos de 2009 em prisão domiciliar.

Rohani se comprometeu a agir de acordo com sua Carta de Direitos Civis em seu segundo mandato para convencer os reformistas indecisos, tarefa para a qual volta a contou com o apoio de Khatami, mas não mais com o do mentor Rafsanyani, que morreu em janeiro.

Seus maiores desafios serão reduzir o desemprego, principalmente entre os jovens, e fazer as mudanças prometidas, para não despertar a ira de muitos reformistas que alegaram ter votado nele como "a opção menos ruim" das eleições.

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