Brasileiro é investigado após citar propina a chefe da Inteligência argentina

Buenos Aires, 22 mai (EFE).- A justiça argentina abriu nesta segunda-feira uma investigação sobre o lobista Leonardo Meirelles por "falso testemunho", o que foi denunciado pelo diretor da Agência Federal de Inteligência da Argentina (AFI), Gustavo Arribas, acusado pelo brasileiro de ter recebido propina da Odebrecht.

O promotor federal Jorge Di Lello aceitou hoje iniciar a investigação, mas ainda não analisou os fatos devido ao estado "precoce" da causa, que ficou a cargo do juiz Claudio Bonadio.

Arribas apresentou uma ação criminal na semana passada em que acusava de "propina" e "falso testemunho" o operador financeiro da Odebrecht condenado pela operação Lava Jato no Brasil e que acusou o chefe da Inteligência argentina de ter recebido US$ 850 mil da construtora.

Ex-sócio de Alberto Youssef e um dos primeiros delatores da Lava Jato, Meirelles disse nos últimos dias à justiça argentina que Arribas recebeu essa quantia antes de assumir o cargo, em dezembro de 2015, fato que o acusado negou categoricamente na denúncia.

"Disse reiteradamente que Meirelles mente e que com a sua intervenção não decidida por mim só recebi uma transferência bancária", expôs Arribas no texto sobre a única transação que admitiu ter recebido um pagamento de US$ 70,5 mil pela venda de bens móveis.

O problema judicial que afeta Arribas vem de longa data: em março, o juiz federal Rodolfo Canicoba rejeitou uma denúncia contra ele baseada em uma investigação publicada pelo jornal "La Nación", que afirmava que o diretor da AFI recebeu um pagamento de US$ 600 mil em 2013.

De acordo com a investigação, Meirelles transferiu esse montante em cinco partes a uma conta de Zurique, pertencente a Arribas, através da conta de uma empresa controlada por ele e "qualificada pela justiça brasileira como 'empresa de fachada', destinada ao pagamento de propinas, lavagem de dinheiro e evasão".

A Câmara Federal argentina confirmou o não prosseguimento da denúncia, mas a Procuradoria de Investigações Administrativas recorreu do fechamento da causa.

Arribas negou à época ter relação com a Odebrecht, empresa em que Meirelles trabalhava como operador, e fez um relatório no qual só consta uma transferência de quase US$ 70,5 mil, que atribuiu a parte de um pagamento feito pela venda de um imóvel no Brasil - agora, diz que foi pela venda de móveis.

Além disso, comentou que não foi ele quem escolheu Meirelles para que fazer o pagamento pela moradia, alegando que a decisão foi feita pelo comprador do apartamento.

Arribas foi um dos fundadores da HAZ Sports Agency, uma agência especializada em jogadores de futebol, e se tornou chefe de Inteligência em dezembro de 2015, com a chegada de Mauricio Macri à presidência argentina.

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