Vaticano se prepara para audiência do papa com Trump

Cidade do Vaticano, 23 mai (EFE).- A audiência que o papa Francisco terá amanhã, quarta-feira, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a de qualquer chefe de Estado e de governo, deixa pouco espaço para surpresas devido à rigidez e à rotina do protocolo.

O ex-presidente americano Barack Obama já havia dito, ao se despedir do papa Francisco em 27 de março de 2014, após também ser recebido em uma audiência: "Sua santidade é talvez o único no mundo que deve sofrer com um protocolo pior do que o meu".

Em todas as audiências se repete o mesmo padrão com pouco espaço para improvisações e surpresas não desejadas. Nem sequer com Francisco, que se habituou a quebrar o protocolo.

As reuniões e trocas de mensagens para preparar o encontro são múltiplas, mas no momento em que os muros do Vaticano forem cruzados, entra em vigor o mesmo "roteiro" da diplomacia para todos.

A delegação de Trump chegará ao pátio de São Dâmaso, no interior do palácio pontifício, onde uma bandeira dos Estados Unidos será hasteada em uma das fachadas.

Ali, ele será esperado pelo prefeito da Casa Pontifícia e ex-secretário pessoal do papa Bento XVI, o alemão Georg Gänswein, que oferecerá seus cumprimentos a Trump e a sua esposa Melania, e também aos outros integrantes da delegação.

Gänswein os conduzirá em um percurso pelos impressionantes corredores cobertos de afrescos e história até chegar ao segundo alojamento do palácio pontifício, onde fica o apartamento pontifício.

Apesar de Francisco não viver nesta área do palácio apostólico, mas na residência de Casa Santa Marta, é aqui que ele segue recebendo os governantes.

Os visitantes serão acompanhados no percurso pelos "gentis-homens", laicos, membros de famílias nobres e que, no passado, recebiam este título como prêmio por sua ajuda ao pontífice, e serão saudados em seu passagem por soldados da Guarda Suíça.

Trump entrará sozinho na Sala do Tronetto, onde o papa sairá para recebê-lo e se produzirá o primeiro encontro com o tradicional: "Bem-vindo presidente" e o aperto de mãos diante dos olhos de um número reduzido de jornalistas e fotógrafos.

Assim como ocorreu com Obama, a televisão vaticana emitirá ao vivo os momentos públicos da audiência.

Ambos irão depois para a Biblioteca, onde os veículos de comunicação poderão vê-los já sentados diante de uma escrivaninha e, após alguns segundos, a imprensa será convidada a se retirar e as portas serão fechadas, o que dará início à reunião com o auxílio de um intérprete.

O som de uma campainha indicará aos veículos de comunicação que a reunião terminou e, assim, será possível calcular o tempo que a audiência durou, que, neste caso, espera-se que não sejam mais de 20 minutos, já que o papa tem depois a realização da audiência geral das quartas-feiras.

A imprensa poderá ter acesso à biblioteca novamente para presenciar a troca de presentes entre o papa argentino e o presidente americano e a apresentação das delegações, da qual farão parte a primeira-dama dos EUA, Melania, a filha mais velha do presidente, Ivanka, e seu genro e colaborador, Jared Kushner.

Ambos se aproximarão de uma pequena mesa onde serão dispostos os presentes que os dois vão trocar e explicar do que se trata.

Este é o momento mais descontraído, quando costumam ser feitas algumas brincadeiras e é possível interpretar como foi a reunião.

Francisco costuma entregar aos chefes de Estado e de governo as cópias de seus três textos principais: as encíclicas "Evangelii Gaudium" e "Laudato Si" e a exortação "Amoris Laetitia".

O papa também os presenteia com um medalhão de bronze com alguma imagem bíblica que pode fazer referência à paz e à luta contra a pobreza.

Depois, entrarão os integrantes das delegações que poderão cumprimentar e trocar algumas palavras com o pontífice, de quem receberão um rosário.

O papa acompanhará depois Trump até a saída da biblioteca e ali, como é tradição, se despedirão com uma última mensagem e considerações finais.

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