Vítima yazidi do EI pede ajuda internacional para minorias do Oriente Médio

Madri, 24 mai (EFE). - Sequestrada, estuprada e obrigada a ser escrava sexual dos integrantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), a yazidi Nadia Murad acredita que a comunidade internacional pode ajudar a proteger as minorias "oprimidas" no Oriente Médio.

Ativista e indicada ao Prêmio Nobel da Paz no ano passado por divulgar o sofrimento do povo yazidi nas mãos do EI, ela afirma que, como ser humano, não pode admitir injustiças e por isso pede ação de toda a comunidade internacional.

"Eles podem fazer muito. Podem declarar uma zona segura para ajudar às minorias frágeis e vulneráveis, criar um ambiente de paz e convivência pacífica e ajudar no desenvolvimento da região", explica.

Aos 23 anos, ela participou hoje da inauguração da Conferência Internacional sobre Vítimas das Violências Étnica e Religiosa no Oriente Médio que acontece no Palácio do Pardo, em Madri, com a participação de 70 países e organizações internacionais com o objetivo de discutir as ações do EI e demais organizações terroristas.

Após lembrar que ainda existem mais de 3 mil mulheres e crianças yazidis sequestrados pelo EI, ela destaca que, mesmo que muitos territórios já tenha sido libertados, as populações, no entanto, não puderam voltar para casa.

"Elas não se sentem seguras para retomar uma vida normal", explica a jovem iraquiana, lamentando que yazidis e cristão não tenham voz.

"Estamos enfraquecidos. Não temos qualquer tipo de defesa", enfatiza.

Ela acredita que a comunidade internacional pode exercer pressões sobre as autoridades iraquianas e do Curdistão para mais medidas de proteção das minorias e para garantir os seus direitos, bem como para analisar a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o julgamento dos que cometeram crimes.

Nascida em 1993, Nadia foi sequestrada pelo Estado Islâmico em agosto de 2014 com mais 63 mulheres de Sinjar, no norte do Iraque. Foi vendida como escrava sexual, torturada e abusada sexualmente em várias ocasiões, até conseguir escapar três meses depois. No mesmo ano, ela perdeu sua mãe e seis irmãos, todos assassinados pelos jihadistas.

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