Viúva de Herzog pede condenação do Brasil à Corte Interamericana

San José, 24 mai (EFE).- Viúva do jornalista Vladimir Herzog, Clarice Herzog pediu nesta quarta-feira à Corte Interamericana de Direitos Humanos que condene o Brasil pela tortura e execução de seu marido em 1975, durante a ditadura militar.

"Todos os que perderam companheiros, filhos, pais, têm o direito de saber a verdade. Espero que a Corte exija que o governo (do Brasil) faça algo, que o faça responsável para que se conheça a verdade do que ocorreu na ditadura e que não está nos livros de história. Devemos lutar pela verdade e contra a impunidade porque os cidadãos merecem. Vlado faz parte da história do Brasil", afirmou.

A Corte Interamericana realiza hoje uma audiência sobre a tortura e posterior execução de Herzog no dia 24 de outubro de 1975, depois de o jornalista ter se apresentado voluntariamente ao Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo.

Na época, o inquérito militar sobre a morte concluiu que Herzog tinha se suicidado, mas investigações posteriores determinaram que o jornalista morreu após ter sido torturado.

As informações constam na ação apresentada à Corte Interamericana pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Clarice explicou que o marido trabalhava para a TV Cultura e que começou a ser investigado por ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). "Ele queria uma televisão educativa de verdade, continuar o modelo da BBC. Queria sair às ruas, se aproximar das pessoas, conhecer como viviam e fazer denúncias", disse.

A viúva do jornalista pediu aos juízes que obriguem o Brasil a investigar e esclarecer o ocorrido, além de encontrar os responsáveis pela morte de seu marido.

"Quero que exijam ao Brasil que acabe com a impunidade. A sociedade tem o direito de saber a verdade. Meu esposo foi um homem bom que morreu a pauladas", afirmou.

Clarice disse que Herzog morreu quando os filhos do casal, André e Ivo, tinham 9 e 7 anos, respectivamente. Hoje, André trabalha em Washington, e Ivo dirige o Instituto Vladimir Herzog, que se dedica a revelar a verdade sobre o que ocorreu na ditadura.

Os familiares entraram, em 1976, com uma ação civil declaratória na Justiça Federal, que desmentiu a versão do suicídio. Em 1992, o Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei da Anistia era um obstáculo para a realização das investigações.

Após outra tentativa de esclarecer os fatos, em 2008, o caso foi arquivado por prescrição.

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