Centenas de palestinos em prisões israelenses completam 40 dias sem comer

Jerusalém, 26 mai (EFE).- Centenas de prisioneiros palestinos que cumprem pena em complexos penitenciários de Israel entraram nesta sexta-feira no 40º dia da greve de fome "Por Liberdade e Dignidade" com a qual protestam contra as condições de seu encarceramento e pedem melhorias.

Mais de 800 palestinos - um número que as autoridades palestinas elevam até 1.600 - estão sem comer enquanto aumentam as preocupações sobre a deterioração do estado de saúde dos mesmos e os pedidos para que se chegue a uma solução, como solicitou ontem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) às autoridades israelenses, que até agora se negaram a negociar.

"Os israelenses não estão reagindo de forma positiva", disse hoje à Agência Efe o porta-voz da Comissão de Assuntos dos Prisioneiros e Ex-prisioneiros, Akram Ayasa, que acrescentou que não há vias de comunicação entre as partes.

Por este motivo, Ayasa indicou que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, abordou ontem em profundidade essa questão durante o seu encontro em Ramala com o conselheiro dos Estados Unidos para as Negociações no Oriente Médio, Jason Greenblatt, que visita a região apenas dois dias depois que o presidente Donald Trump insistiu em avançar para um processo de paz entre palestinos e israelenses.

"Temos nos dirigido aos americanos porque necessitamos ter uma resposta para as reivindicações dos grevistas. A situação é verdadeiramente preocupante", indicou Ayasa, que assegurou que, um dia antes, 182 presos foram levados para centros médicos para que suas condições de saúde fossem avaliadas.

O carismático integrante do partido Al Fatah e promotor do protesto, Marwan Barguti, que cumpre cinco penas de prisão perpétua por sua participação no assassinato de cinco israelenses durante a Segunda Intifada (2000-2005), foi submetido na quarta-feira a uma bateria de exames médicos para avaliar a deterioração de seu estado de saúde, antes de ser levado de volta para o centro de detenção onde cumpre sua condenação.

Os réus protestam contra as condições de cerca de 6,5 mil palestinos em prisões israelenses, e reivindicam melhorias tais como "o fim das penas em celas de isolamento, da tortura, da negligência médica e da prisão administrativa, além de acesso à educação, a cuidados médicos e do aumento das visitas de familiares" de uma para duas mensais.

A sociedade palestina resolveu mostrar sua solidariedade para com os presos em greve com paralisações gerais, contínuas marchas de apoio e manifestações nas quais dois palestinos morreram e mais de 100 ficaram feridos.

Hoje, além da convocação de novos protestos, o Comitê Nacional Palestino do movimento Boicote, Sanções e Desinvestimentos (BDS, sigla em inglês) a Israel expressou seu apoio à greve e lançou uma campanha para promover um "embargo militar a Israel", exigindo que as organizações internacionais "deixem de permitir o aparato militar e de segurança israelense" e o seu desenvolvimento.

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