Justiça do Barhein dissolve principal partido da oposição laica

Manama, 31 mai (EFE).- Um tribunal do Bahrein ordenou nesta quarta-feira a dissolução do partido político Waad, o principal da oposição laica no país, e confiscou todos os seus bens, meses após ter dissolvido a maior legenda opositora xiita, Al Wefaq.

O Waad foi acusado em março pelo Ministério da Justiça de "apoio ao terrorismo", "incitação à violência" e de tentar "promulgar uma mudança do sistema político através da força", entre outras acusações.

A decisão judicial, de acordo com os advogados do Waad, não leva a sua aplicação imediata, o que permitirá que o partido continue operando legalmente até que um Tribunal de Apelações examine o caso.

O Waad foi o primeiro grupo laico que se estabeleceu como partido político em um país do Golfo, em 2002. A legenda se opõe à violência, tem tendência política pan-arabista e defende que o Bahrein adote um sistema de monarquia constitucional.

O ex-secretário-geral de Waad Radhi al Musawi afirmou no Twitter que a sentença é uma espécie de "aborto" das reformas políticas que a oposição quer fazer no país.

O Instituto para os Direitos Humanos e a Democracia do Bahrein (BIRD, sigla em inglês), com sede em Londres, afirmou em um comunicado que "fechar o último partido de oposição é uma declaração 'de facto' da proibição de toda a oposição" no país.

"O governo do Bahrein está agindo com o propósito de silenciar totalmente as vozes pacíficas, deixando aberta a alternativa de oposição clandestina e violência", disse o comunicado da ONG.

Em setembro do ano passado, outra ordem judicial forçou a dissolução do maior partido da oposição, o xiita Al Wefaq.

No dia 21 de maio, o líder espiritual do Al Wefaq, o aiatolá Isa Ahmed Qasim, foi condenado por instigar protestos com recursos ilegais a uma pena de um ano de prisão, que não terá que cumprir a não ser que cometa outros delitos.

Dois dias após a emissão dessa sentença, a polícia fez uma operação policial na casa de Qasim para deter suspeitos de "terrorismo" que, segundo o Ministério do Interior, estavam refugiados ali.

Naquele dia, a polícia reprimiu de forma violenta centenas de pessoas que estavam 11 meses concentradas em frente à casa de Qasim, em protesto pelas medidas judiciais tomadas contra o clérigo e seu partido, o que resultou na morte de pelo menos cinco manifestantes.

Os ativistas e organizações de direitos humanos denunciaram reiteradamente que as autoridades do reino do Barhein tentam silenciar qualquer voz dissidente desde a revolta de 2011, que foi reprimida com a intervenção do exército da Arábia Saudita.

Desde então, o regime governante sunita esmagou através da força todos os protestos que, geralmente, são liderados pela maioria xiita do país.

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