Odebrecht confirma pagamento de US$ 1 milhão à última campanha de Santos

Bogotá, 31 mai (EFE).- O ex-presidente da Odebrecht na Colômbia, Eleuberto Martorelli, confirmou que a construtora brasileira pagou US$ 1 milhão para a elaboração de uma pesquisa para a campanha do atual presidente Juan Manuel Santos em 2014, através da sociedade panamenha Paddington, vinculada à empresa Sancho BBDO.

"A pesquisa que eu paguei foi uma pesquisa de opinião (por) US$ 1 milhão que paguei a uma empresa chamada Paddington (...). Entendia que era para a campanha do presidente Santos", disse Martorelli em uma declaração perante a procuradoria no consulado da Colômbia em São Paulo, segundo os áudios revelados pela emissora "Blu Radio".

A Promotoria colombiana já tinha afirmado em março que possui provas de que a Odebrecht assumiu despesas das campanhas de Santos e de seu rival nas eleições de 2014, Óscar Iván Zuluaga.

Os promotores verificaram que a Odebrecht assinou um contrato com a Paddington, no dia 2 de fevereiro de 2014, por US$ 1 milhão, para que a empresa fizesse uma pesquisa de opinião "com o objetivo de obter uma aproximação com o governo do presidente Santos".

Esse seria o contrato citado por Martorelli nas declarações que foram divulgadas hoje e que foi pedido por Luis Peña, representante legal da Sancho BBDO. O ex-presidente da Odebrecht na Colômbia disse não lembrar onde conheceu Peña.

"A pesquisa era sobre vários candidatos nas principais capitais na Colômbia, e entendia que era para a campanha do presidente Santos em 2014", afirmou Martorelli. Sobre as razões que o levaram a pagar pela pesquisa, o ex-executivo afirmou que era "óbvio que tinha interesse de se aproximar do governo."

Além disso, Martorelli afirmou não saber se sua mensagem "chegou ao topo", em referência ao presidente da Colômbia.

O ex-executivo da Odebrecht também confirmou o pagamento de US$ 1,6 milhão ao publicitário Duda Mendonça, que trabalhou para a campanha do candidato do partido Centro Democrático, Óscar Zuluaga, que foi apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe.

O dinheiro, segundo Martorelli, foi entregue diretamente a Mendonça e não a nenhum intermediário.

O gerente da campanha presidencial de Santos em 2014, o empresário Roberto Prieto, admitiu em março que houve uma operação irregular no pleito de 2010. Segundo ele, a Odebrecht teria feito contribuições à primeira candidatura do presidente colombiano.

De acordo com a imprensa local, a construtora brasileira entregou US$ 400 mil à campanha de Santos em 2010 para a elaboração de dois milhões de panfletos com a imagem do candidato.

Após o vazamento dos áudios com as declarações de Martorelli, o procurador Fernando Carrillo diz que lamenta o incidente e que ainda não sabe quem foi o responsável pela divulgação.

"Não sabemos a origem do vazamento. Queremos especificar que essa gravação foi entregue, como era nossa obrigação ao Conselho Nacional Eleitoral, para os efeitos eleitorais, à Procuradoria-Geral da Nação, para os efeitos penais, e à Corte Suprema de Justiça, pela investigação que já está em andamento lá, e a todos os envolvidos", disse o procurador aos jornalistas.

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