Ocupação israelense gera muitas críticas e poucas respostas na ONU

Mario Villar.

Nações Unidas, 1 jun (EFE).- A ocupação dos territórios palestinos por Israel há décadas é alvo de duras críticas da Organização das Nações Unidas (ONU), mas as ações da organização para mudar essa realidade foram muito limitadas.

A ONU considera oficialmente Israel uma "potência ocupante" das terras palestinas e reitera que não reconhecerá qualquer mudança nas regras vigentes em 4 de junho de 1967 - véspera do início da Guerra dos Seis Dias - a menos que seja estipulado pelas duas partes.

Essa doutrina foi reiterada mais uma vez em dezembro do ano passado pelo Conselho de Segurança, em resolução na qual exigiu das autoridades israelenses o fim das atividades de assentamento em territórios palestinos. No entanto, esse texto - considerado histórico após anos de silêncio do Conselho - não representou mudança alguma no local.

Ao contrário, Israel aumentou os anúncios sobre novos projetos de construção em forma de resposta e não existe qualquer indício de que o país vá sofrer punições por ignorar o órgão máximo da ONU.

Os Estados Unidos, um dos cinco membros com poder de veto no Conselho de Segurança, tradicionalmente protegeu Israel nas Nações Unidas. Após um distanciamento durante o mandato de Barack Obama - que permitiu aprovar com a sua abstenção a resolução de dezembro, enfurecendo o governo israelense -, a Administração de Donald Trump voltou a se alinhar com o seu parceiro na ONU.

De fato, a representante do governo americano na ONU, Nikki Haley, transformou em uma das suas prioridades acabar com a política "anti-Israel" que, em sua opinião, impera na entidade. Ainda que a organização não tenha feito muito para forçar Israel a pôr fim à ocupação, o certo é que ela encurralou de alguma foram o país nas Nações Unidas, pelo menos nos órgãos que, ao contrário do Conselho de Segurança, não são pressionados pela postura de Washington, como a Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos.

Em ambos, as políticas israelenses são condenadas de regularmente. A Assembleia também concedeu à Palestina, em 2012, o status de "Estado observador não membro", o mesmo que o Vaticano possui. Desde 2015, a bandeira palestina tremula na sede da ONU, e os palestinos são atualmente integrantes de alguns órgãos como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Em resposta a tudo isso, Israel denuncia constantemente que a ONU é parcial e tem obcecada por eles.

"Chegou o momento de finalmente acabar com a atenção obsessiva sobre Israel. Chegou o momento em que o Estado judeu deixa de ser bode expiatório por cada guerra e conflito na nossa região", disse em seu discurso mais recente perante o Conselho de Segurança o embaixador israelense, Danny Danon.

O governo de Israel insiste também que a organização internacional não pode ser a que irá impor a solução ao conflito e defende que isso só acontecerá com negociações diretas entre as duas partes.

Os palestinos, em contrapartida, querem que a comunidade internacional assuma sua responsabilidade e aja para acabar com a ocupação.

"Devem propor medidas para que Israel, a potência ocupante, respeite as suas obrigações legais e cumpra com as resoluções relevantes das Nações Unidas", apontou a missão palestina em uma carta ao Conselho de Segurança na semana passada.

A carta, como aponta o próprio texto, é semelhante a outras 612 enviadas à ONU sobre a crise nos territórios ocupados.

Quando completa meio século do começo dessa situação, o Conselho de Segurança voltará a analisar o tema em junho, assim como faz em todos os meses. E como já é tradição, a ONU alertará da gravidade do conflito, os Estados-membros reiterarão as suas posturas e poucas coisas mudarão.

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