Raúl Castro reafirma apoio a Venezuela e vê diálogo como "única via"

Havana, 1 jun (EFE). - O presidente de Cuba, Raúl Castro, voltou a manifestar nesta quinta-feira o apoio da ilha ao governo da Venezuela, atribuiu a complicada situação atravessada pelo país a interesses econômicos e defendeu o diálogo "construtivo e respeitoso como única via para canalizar as diferenças".

Castro insistiu na necessidade de denunciar e deter as "agressões, sanções e ingerências" dos Estados Unidos, da Organização de Estados Americanos (OEA) e vários países que, em sua opinião, tentam enfraquecer o governo constitucional da Venezuela.

O presidente cubano deu essas declarações durante um discurso na Assembleia Nacional de Cuba (Parlamento unicameral), que hoje realizou uma sessão extraordinária para aprovar os documentos econômicos autorizados no último Congresso do Partido Comunista, em abril.

Raúl Castro, cujo governo é aliado político e econômico da Venezuela, disse que os interesses econômicos tentam impedir a continuidade da revolução bolivariana iniciada no país pelo ex-presidente Hugo Chávez, em 1999.

"Muitos líderes dos protestos são os mesmos do golpe militar de 2002, do golpe petroleiro de 2003 e dos atos violentos de 2014, que justificam as suas ações na suposta tentativa de ajudar os venezuelanos", afirmou.

Para Castro, a única maneira de ajudar os venezuelanos é mostrando "com fatos o pleno respeito à soberania" e incentivando o "diálogo construtivo e respeitoso como única via para canalizar as diferenças".

"Se os direitos humanos e integridade das pessoas na Venezuela são alvo de verdadeira preocupação, as ações violentas golpistas que causaram mortes e deixaram feridos devem ser condenadas", apontou.

Castro destacou a solidariedade de Cuba com "a união cívico-militar do povo venezuelano e com o governo liderado pelo presidente constitucional" e comparou as imagens de jovens espancados, esfaqueados e queimados vivos com "os piores atos do fascismo".

Antes, a Assembleia Nacional de Cuba aprovou uma declaração na qual reafirmou o apoio da ilha ao governo "legítimo" da Venezuela, perante os "ataques da oposição interna e da direita estrangeira".

Cuba e Venezuela são aliados políticos e econômicos há quase duas décadas, e a ilha recebe desse país um importante volume de petróleo a preços especiais, ainda que os envios tenham diminuído quase à metade no último ano devido à crise. Membros da oposição venezuelana denunciaram que Cuba exerce uma forte influência nas estratégias oficiais do país.

Durante o discurso, Raúl Castro também abordou a atual situação do Brasil e manifestou "preocupação" com desenvolvimento dos eventos que, em sua opinião, são consequência dos métodos "usados para destituir à presidente Dilma Rousseff".

Ele reiterou a solidariedade de Cuba com os brasileiros e sustentou que "só o respeito à vontade soberana e ao mandato do povo devolverão a legitimidade ao sistema político desse país irmão".

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