Almagro acredita que "governo democrático" evitará que Venezuela deixe a OEA

Cristina García Casado.

Washington, 2 jun (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, confia que um "governo democrático" na Venezuela freará a saída do organismo iniciada pelo presidente Nicolás Maduro, que não será efetivada até abril de 2019.

"A Venezuela tem dois anos, em condições normais (as eleições presidenciais devem acontecer em 2018) esta decisão corresponderia a um governo futuro e democrático", disse Almagro nesta sexta-feira em entrevista à Agência Efe em Washington.

"Se esses passos se dão de tal forma que (a Venezuela) chegue a ter um governo democrático, temos certeza que esse governo democrático não terá a menor intenção de sair da OEA", acrescentou Almagro, que considera que o país vive agora em "uma ditadura".

A Venezuela se tornou no último dia 28 de abril o primeiro país a solicitar a saída da OEA, depois que 19 Estados-membros convocaram uma reunião de chanceleres sobre sua crise, apesar da rejeição do chavismo a qualquer mediação do organismo.

"A intenção de sair da OEA obedece à necessidade de implementação de determinadas variáveis autoritárias ditatoriais dentro do país e esse é o esquema que definitivamente prejudicou as discussões da Venezuela na OEA", comentou Almagro.

O governo da Venezuela surpreendeu nesta quarta-feira ao credenciar-se para a reunião de chanceleres sobre sua crise, após ter deixado de participar na OEA desde que apresentou a petição de saída.

Nessa sessão seu representante nunca chegou a ocupar a cadeira, talvez porquê só tenha havido discursos e não votação de propostas, mas, ao final, a chanceler Delcy Rodríguez anunciou que, contra todo prognóstico, estará na Assembleia Geral do organismo, que acontecerá em Cancún (México) entre os dias 19 e 21 de junho.

"É muito raro que alguém necessite ir para ratificar que está saindo... Ficou claro, fizeram por escrito, mas é bom que retornem às discussões dentro da organização", opinou hoje Almagro.

A chanceler disse que na reunião defenderá a Venezuela e ratificará a retirada da OEA pelas pretensões "intervencionistas", tanto de Almagro como do grupo de 14 países que promovem a mediação do organismo na crise, entre eles Brasil, Estados Unidos, México, Peru, Canadá, Panamá, Argentina e Colômbia.

Almagro, que há um ano estava quase sozinho na OEA em suas denúncias sobre Maduro, reconhece que exerceu "um papel para impulsionar esta agenda".

Por isso, defende que a reunião de chanceleres foi importante, apesar de terminar sem acordo, já que pela primeira vez os ministros de Relações Exteriores do organismo se pronunciaram reunidos sobre a Venezuela.

A sessão foi suspensa após cinco horas por não haver consenso sobre os dois projetos de resolução apresentados, um impulsionado pelos países do Caribe e outro pelo grupo de 14 países.

A proposta dos 14 países, apoiada por Almagro, prevê que Maduro cancele a Constituinte, liberte os políticos presos, convoque eleições com observação internacional, garanta a separação de poderes, respeite o poder da Assembleia Nacional (de maioria opositora) e abra um canal humanitário.

Almagro declarou que não quer dizer os países o que devem incluir no seu texto, mas considera que "ninguém saiu às ruas para pedir uma Constituinte", razão pela qual considera a medida "parte da crise e não solução da crise".

Maduro convocou a Constituinte no último dia 1º de maio, como uma saída à crise que o país vive há dois meses com protestos convocados tanto pelo chavismo como pela oposição, que deixaram até agora um saldo de 62 mortos.

O presidente boliviano, Evo Morales, acusou Almagro nesta quinta-feira de querer "eliminar politicamente" os governos "anti-imperialistas" com "uma política de Plano Condor", a estratégia de várias ditaduras militares do Cone Sul para eliminar os dirigentes da esquerda entre 1970 e 1980.

"Tenho um anti-Plano Condor, o meu anti-Plano Condor inclui o restabelecimento das instituições democráticas na Venezuela, o Plano Condor era um instrumento de uma ditadura, o meu plano inclui a liberdade dos presos políticos, o Plano Condor tinha presos políticos", se defendeu hoje o ex-chanceler uruguaio.

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