Milhares de pessoas marcham "pela verdade" sobre laços de Trump com a Rússia

Jairo Mejía.

Washington, 3 jun (EFE).- Milhares de pessoas em mais de uma centena de cidades dos Estados Unidos participaram neste sábado da "Marcha pela Verdade", para pedir investigações sobre os supostos laços do presidente Donald Trump com a Rússia e sua saída, caso se demonstre algum delito ou conluio.

Nova York, Washington, Chicago e Filadélfia registraram as maiores multidões, com entre várias centenas e até milhares de pessoas, em um ambiente festivo e com pedidos para que Trump fosse submetido a um processo de impeachment pelo possível conluio de sua campanha com o governo russo.

Ao mesmo tempo, várias dezenas de pessoas convocadas pela campanha de Trump se concentraram em frente à Casa Branca para apoiar o governante pela sua decisão de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Os simpatizantes levaram cartazes de apoio ao presidente, como no caso de William Yeats, da Virgínia, que, apesar de reconhecer que não conhecia "muito" do Acordo de Paris, está de acordo com que Trump "ponha os americanos em primeiro lugar".

As agências de inteligência dos EUA consideram provado que o Kremlin tentou interferir nas eleições americanas de novembro do ano passado para torpedear as chances da candidata democrata, Hillary Clinton, com vazamentos de informações do Comitê Nacional Democrata.

No entanto, perante as revelações de contatos antes e após as eleições de membros da campanha do governante com representantes russos, a investigação passou a centrar-se em saber se houve coordenação com o Kremlin.

Muitos dos participantes entoaram palavras de ordem a favor de iniciar um processo de impeachment contra Trump pelas suas tentativas de evitar que se investigue a possível manipulação russa nas eleições de novembro do ano passado.

No protesto de Washington os organizadores reiteraram os princípios do protesto: a criação de uma comissão independente e transparente que investigue os nexos de Trump com a Rússia, a publicação das suas declarações de impostos e a destituição do presidente, caso fique comprovado algum delito ou conluio.

Linda Sarsour, ativista muçulmana e organizadora da Marcha das Mulheres, a primeira grande mobilização contra Trump, seguida de outras como a Marcha pela Ciência, disse que "os americanos devem saber a verdade".

Por sua vez, o congressista de Maryland, Jamie Raskin, declarou que Trump "tem um vírus e está infectando todos os que estão a seu redor".

Os organizadores querem que, além do procurador especial escolhido pelo Departamento de Justiça para investigar a tentativa russa de interferir nas eleições, seja criada uma comissão independente como a que analisou os ataques de 11 de setembro de 2001.

O Departamento de Justiça nomeou o ex-diretor do FBI, Robert Mueller, como procurador especial para investigar o possível conluio com a Rússia.

A designação foi anunciada depois que Trump decidiu demitir no último mês de maio o diretor do FBI, James Comey, que conduzia a investigação sobre a possível trama russa, algo que o presidente disse que é uma "caça às bruxas" contra ele sem fundamento algum.

Mueller tem plenos poderes para investigar, convocar para depor e apresentar acusações contra pessoas relacionadas com a suposta trama russa para afetar o resultado das eleições e criar canais secretos de comunicação com o novo governo.

Até o momento, os principais sujeitos da investigação sobre os contatos com a Rússia são o ex-assessor de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, o ex-chefe de campanha do governante, Paul Manafort, e o estrategista republicano Roger Stone.

A investigação poderia também estender-se aos contatos mantidos com representantes do Kremlin pelo cunhado e assessor de Trump, Jared Kushner, e pelo procurador-geral, Jeff Sessions.

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