"Brexit" marca eleições gerais britânicas na Irlanda do Norte

Javier Aja.

Dublin, 5 jun (EFE).- As eleições gerais desta quinta-feira são vistas na Irlanda do Norte como um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), depois que o eleitorado local rejeitou o "Brexit" na consulta de 23 de junho do ano passado, ao contrário do país como um todo.

Esta será a terceira reunião com as urnas em menos de um ano para os norte-irlandeses, após o já citado referendo e as eleições autônomas antecipadas realizadas em março para encarar o colapso do governo de Belfast, de poder compartilhado entre o protestante Partido Democrático Unionista (DUP) e o nacionalista Sinn Féin.

O governo autônomo caiu em janeiro devido a um caso de corrupção em um plano de energias renováveis que atingiu totalmente o DUP, mas as relações com os seus parceiros já estavam muito deterioradas pelas diferenças sobre política social e linguística e questões relacionadas com o passado conflito na região.

A brecha definitiva foi aberta pelo "Brexit", um divórcio que foi rejeitado por 56% dos eleitores norte-irlandeses, frente aos 44% que o apoiaram seguindo o apelo das legendas unionistas-protestantes, com o DUP à frente.

Todos estes fatores contribuíram para o auge do Sinn Féin, antigo braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), que ficou a apenas uma adeira do DUP nas passadas eleições regionais e acabou assim com a histórica maioria protestante na Assembleia autônoma.

Este "empate técnico" dificultou as negociações entre ambos para formar um governo. Os esforços foram paralisados e serão retomados depois destas eleições gerais que, segundo alguns especialistas, podem tornar o Sinn Féin a principal força política local.

As últimas pesquisas indicam que o DUP, da ex-ministra principal Arlene Foster, tem uma leve vantagem sobre os republicanos, liderados por Michelle O'Neill, que substitui à frente do partido o ex-comandante da IRA Martin McGuinness, que morreu.

Das 18 cadeiras correspondentes à Irlanda do Norte em Westminster, o DUP ocupou oito na legislatura anterior, e o Sinn Féin quatro, apesar de os nacionalistas seguirem uma política abstencionista no Parlamento de Londres porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica.

Uma vitória dos republicanos reforçaria a posição negociadora relacionada ao reatamento das conversas para formar um governo em Belfast com o DUP e condicionaria a tomada de decisões de Londres, que advertiu que poderia suspender indefinidamente a autonomia se não houver acordo entre os partidos ou a convocação de novas eleições.

Entre os assuntos que unem unionistas e nacionalistas destaca-se a rejeição ao restabelecimento de uma fronteira estrita com a República da Irlanda que prejudique suas estreitas relações econômicas e prejudique o processo de paz, apesar de ser a única barreira terrestre que separará o Reino Unido da UE após o "Brexit".

A primeira-ministra britânica e favorita para ganhar as eleições, a conservadora Theresa May, defende manter a fronteira o mais aberta possível e se comprometeu a defender esta postura nas conversas que terá com a UE sobre os termos desta separação.

Os 27 países membros da UE também consideram prioritário proteger os interesses da República da Irlanda e a paz na ilha, mas lembram a Londres que a saída do mercado único e da união aduaneira, objetivos de May, se traduzirão na imposição de certas restrições entre as duas jurisdições.

Diante da incerteza sobre este assunto, o Sinn Féin pediu o voto dos norte-irlandeses para que deixem claro nas urnas a rejeição ao "Brexit", ao mesmo tempo que prometeu realizar dentro de "cinco anos" um referendo sobre a unificação da Irlanda, uma de seus metas históricas.

O DUP, por sua vez, considera que o desligamento com Bruxelas é positivo para a região e que os seus interesses estarão melhor protegidos se a Irlanda permanecer no Reino Unido.

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