Britânicos elegem premiê que tentará conter queda da libra e alta da inflação

Guillermo Ximenis.

Londres, 5 jun (EFE).- Os britânicos escolherão na próxima quinta-feira o governo que tentará combater os feitos da desvalorização da libra esterlina, o aumento da inflação e as incertezas que rondam a economia do Reino Unido diante do "Brexit", a saída do país da União Europeia.

A moeda britânica caiu 14% no câmbio com o dólar e 12% em relação ao euro desde o referendo que autorizou o "Brexit", em junho do ano passado, o que contribuiu para disparar os preços dentro do país e desacelerar a economia. A inflação de abril foi de 2,7%, a maior em três anos e o PIB cresceu apenas 0,2% no primeiro trimestre.

Além de tomar medidas para resistir à tendência, o governo eleito deverá negociar um vital tratado comercial com a União Europeia, destino de 45% das exportações britânicas, e firmar novos acordos com dezenas de países.

Apesar de a economia ter se mantido robusta nos primeiros meses após o referendo do "Brexit", a desvalorização da libra começou a prejudicar os setores mais expostos à confiança dos consumidores, indicou o membro do grupo "Britain in Europe", Gordon Colquhoun.

"Antecipamos uma crescente incerteza e um aumento no custo de vida, que afetará de forma negativa o investimento das empresas e as despesas dos consumidores no curto prazo", indicou Colquhoun.

Os analistas destacam que o Reino Unido conseguiu evitar até agora um impacto maior na economia do país graças às medidas do Banco da Inglaterra, que cortou as taxas de juros ao mínimo histórico de 0,25% para mitigar o efeito negativo do "Brexit".

"As medidas do banco central, que se adiantou a qualquer potencial choque nos mercados, sem dúvida contribuíram. No entanto, viver em uma economia de baixas taxas de juros, com a libra esterlina depreciada, também pode gerar problemas", afirmou Mark Fennessy, também colaborador do "Britain in Europe" e sócio da companhia Proskauer em Londres.

O grupo "The UK in a Changing Europe" alerta que a previsível queda no número de trabalhadores imigrantes após a saída da União Europeia também pode afetar a economia britânica.

"É difícil predizer quais serão as consequências diretas da redução na imigração, mas os dados sugerem que sairemos perdendo, seja pela falta de pessoal em empregos-chave, ou pela perda de investimentos fiscais", indicou o professor de Política Europeia e Assuntos Exteriores do King's College de Londres, Anand Menon.

Segundo o Escritório de Responsabilidade Orçamental, órgão consultivo do governo, reduzir a imigração de 265 mil pessoas por ano para 185 mil até 2021 afetaria os cofres britânicos em 6 bilhões de libras esterlinas por ano.

Um dos principais objetivos da atual primeira-ministra do Reino Unido, a conservadora Theresa May, favorita para vencer as próximas eleições, é assinar o mais rápido possível um acordo comercial com os 27 países-membros da União Europeia.

No último dia 16 de março, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que os parlamentos nacionais devem ratificar os acordos do bloco que envolvam questões como contratação pública e desenvolvimento sustentável.

A necessidade de buscar a aprovação individual de todos os países da União Europeia pode se tornar um labirinto que atrasaria a aprovação de qualquer pacto com o Reino Unido.

Alguns analistas, no entanto, acreditam que a decisão, tomada ao avaliar um acordo comercial com a Cingapura, abre as portas para um caminho mais direto.

O professor do London School of Economics, Julian Hoerner, indicou que a sentença deixa claro que "a maioria de assuntos que cobre o acordo comercial são competência exclusiva da União Europeia". "Apenas certas formas de investimento estrangeiro requerem consentimento das câmaras nacionais".

Isso significa que Reino Unido e União Europeia, segundo Hoerner, podem limitar o alcance do acordo comercial, deixando de fora alguns aspectos, e aprovar um pacto que incluir questões tarifárias.

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