Implicações do "brexit" ganham papel central nas eleições britânicas

Patricia Rodríguez.

Londres, 5 jun (EFE).- O "brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), e suas diversas implicações para o país é um dos argumentos centrais da campanha para as eleições gerais britânicas do próximo dia 8.

Apesar de nos últimos dias assuntos de interesse local terem ganhado destaque, como terrorismo e serviços públicos, analistas políticos locais percebem que as propostas de gestão dos partidos para a saída da UE são um dos temas mais dominantes nestas eleições.

Desde abril, quando a primeira-ministra, Theresa May, antecipou inesperadamente as eleições, sem esperar até 2020, seus argumentos de peso tiveram como motivo o "brexit", assunto que a chefe de governo retomou após a suspensão dos atos eleitorais seguinte ao atentado em Manchester no dia 22 de maio, que deixou 22 mortos.

Para a política conservadora, estas eleições são centradas fundamentalmente em escolher em quem os cidadãos confiarão para defender com força o Reino Unido, negociar sua saída da UE com Bruxelas e obter o melhor acordo possível na Europa.

A uma semana das eleições, a chefe de governo enfatizou a relevância do 'brexit' como base de outros elementos cruciais como a segurança econômica, o lugar do Reino Unido no mundo, o futuro dos serviços públicos e as oportunidades para as próximas gerações.

Timothy Oliver, professor de Política britânica na Universidade de Londres, disse à Efe que May "precisa de uma vitória que lhe dê forças para liderar o país, o Partido Conservador e as negociações do brexit, pois o referendo europeu (de 23 de junho) era sobre deixar ou não a União Europeia, mas não sobre o que essa saída significa".

Além disso, Oliver opinou que a dirigente conservadora "precisa de um voto de confiança dos cidadãos para sua interpretação dessa saída. "É essencial a conjuntura temporária, que oscila em torno do calendário de negociação do brexit", afirmou ele.

"May poderia ter convocado as eleições quando as negociações estivessem chegando ao final, no fim de 2019. Aí sim as consequências do brexit poderiam ser melhor sentidas e isso poderia fazer suas chances de ganhar com ampla maioria diminuiriam", acrescentou.

Quanto a modificar a data das eleições sem esperar 2020, o analista avaliou que outro risco que May quis evitar é que "outros partidos - Trabalhistas, Liberal-Democratas, Verdes, até o SNP - formassem uma coalizão progressista para se opor a ela e ao brexit".

"Derrotar uma coalizão assim seria difícil ou fragilizaria suas chances de ganhar uma maioria no futuro", alegou Oliver.

Nesta corrida eleitoral, o principal grupo opositor, o Partido Trabalhista liderado pelo questionado líder esquerdista Jeremy Corbyn, tentou na campanha evitar argumentos vinculados ao brexit. Seu manifesto enfatiza objetivos como a reestatizalização de serviços públicos agora privatizados e novas medidas marcadamente antiausteridade.

O enfoque trabalhista lhe serviu para diminuir em mais da metade, em apenas duas semanas, a ampla distância que separava o partido de Corbyn da legenda governante de May, segundo as últimas pesquisas.

Por sua vez, a líder independentista escocesa, Nicola Sturgeon, focou os principais discursos do Partido Nacionalista Escocês na sua vontade de realizar um segundo referendo de independência da Escócia quando terminar o processo negociador do brexit, para conhecer os termos definitivos do acordo.

A política nacionalista defende, neste sentido, um programa que impeça os cortes defendidos pelos conservadores e que "reforce mais" o seu mandato para impulsionar seu desejado plebiscito de separação do Reino Unido.

O eurofóbico e anti-imigração Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) ambiciona recuperar o protagonismo que teve antes do referendo sobre o "brexit", depois que parte do seu eleitorado lhe deu as costas nas eleições locais e cedeu seus apoios aos conservadores.

O líder deste partido, o ultradireitista Paul Nuttall, se referiu à legenda como "apólice de seguro nacional" ou "cães guardiães do brexit".

Além disso, em seu manifesto, o UKIP se comprometeu a transformar a luta contra o terrorismo jihadista em uma prioridade.

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