Israelenses e palestinos lembram 50º aniversário da Guerra dos Seis Dias

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 5 jun (EFE).- A Guerra dos Seis Dias, que começou há exatos 50 anos, é vista em Israel como um triunfo que garantiu o lugar do país na região e que provou a superioridade sobre os inimigos, enquanto, para os palestinos, representou o início de uma ocupação que nem o diálogo, nem a violência, conseguiram encerrar.

Os palestinos lembram a data como a "naksa" (revés, em árabe), em reconhecimento da adversidade que representou a derrota no conflito relâmpago, resolvido em apenas uma semana, e no qual foi perdido o controle sobre Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, controlados desde 1948 pela Jordânia e o Egito.

Os israelenses, que sentem seu país ameaçado em um entorno hostil, veem o conflito como o início de uma nova etapa, um reforço de sua posição na região onde nasceu há 69 anos, apesar do antagonismo dos vizinhos. E celebram com especial ênfase a tomada da Cidade Velha de Jerusalém, onde está o Muro das Lamentações, local mais sagrado de oração para os judeus.

"Há cinquenta anos retornamos ao coração da nossa capital e da nossa terra. Há 50 anos não a conquistamos, mas a libertamos", disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante a celebração do aniversário do conflito, que o país comemora seguindo a data hebraica da tomada da cidadela, neste ano em 24 de maio.

"Graças à luta valente e com o orgulho do nosso povo, outra vez Jerusalém foi unificada. E hoje digo, digo alto e claro: Jerusalém sempre foi e sempre será a capital de Israel", afirmou.

A comunidade internacional considera a parte leste da cidade como território ocupado e apoia a criação de um Estado palestino com capital em Jerusalém, uma opção que atualmente, com as negociações de paz estagnadas há três anos, parece cada vez mais distante.

Os palestinos lembram a data exigindo para seu povo o direito à autodeterminação e pedindo o fim da ocupação que Saeb Erekat, secretário-geral da Organização para a Liberdade da Palestina (OLP) e chefe da negociação durante décadas, classificou hoje como "uma vergonha para o sistema internacional".

O representante palestino denunciou o que considera uma estratégia israelense de "assentamentos destinados a tomar o máximo de terras e recursos palestinos quanto seja possível". E afirmou que Israel utilizou os últimos 50 anos para "fortalecer suas políticas coloniais" e "estabelecer a opressão, a subjugação, ataques e agressão à população palestina".

"Nossa gente nunca renunciará aos seus direitos nacionais legítimos e continuará lutando contra a ocupação com os meios disponíveis garantidos pelas leis internacionais para pôr fim a uma comprida era de injustiça, repressão e perseguição", disse Erekat.

Nabil Shaath, assessor do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, disse em um grupo de jornalistas que "a ocupação se transformou gradualmente em uma intenção declarada de anexação" e criticou a "avareza israelense pela Cisjordânia".

"Quando o Egito e Israel fizeram a paz em 1979, havia 6 mil colonizadores. Quando, em 1993, foram assinados os acordos de Oslo, havia 160 mil. Agora há mais de 600 mil", afirmou.

Israel justifica a ocupação com suas necessidades de segurança - especialmente em lugares essenciais como o Vale do Jordão e Jerusalém. A direita do país considera a eventual devolução de territórios e o estabelecimento de um Estado palestino como uma ameaça existencial.

É a opinião do ministro da Educação e aliado principal do governo, Naftali Benet, líder do Lar Judeu, que defende abertamente a anexação por Israel de partes da Cisjordânia, uma medida que colocaria em risco a solução de dois Estados, apoiada pela comunidade internacional.

"Já há dois Estados: um ocupante e um ocupado. Falar de solução de dois Estados é um eufemismo. Se trata basicamente da retirada dos colonizadores e soldados dos territórios palestinos", disse Shaath.

Passados 50 anos, a ocupação não tem sinais para terminar. Vinte anos de processos de negociação, interrompidos por fortes ondas de violência, não deram resultado e as partes não parecem dispostas a fazer concessões para um pacto.

Na sua recente visita à região, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apostou pela via regional para conseguir o acordo, que implica o reconhecimento de Israel pelos países árabes em troca de uma retirada dos territórios ocupados.

Analistas sugerem que a opção de pedir primeiro o reconhecimento de Israel para depois chegar a um acordo com os palestinos é algo inaceitável.

"Não se pode haver paz regional sem paz bilateral. Um Estado palestino nas fronteiras de 1967 é a única forma de acabar com 50 anos de ocupação", afirmou Shaath.

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