Líder eurofóbico, Paul Nuttall busca novo espaço após "brexit"

Guillermo Ximenis.

Londres, 5 jun (EFE).- Paul Nuttall, um ex-professor de história de 40 anos, é o responsável por buscar uma nova posição para o partido eurofóbico UKIP em um Reino Unido que já decidiu deixar a União Europeia (UE), objetivo que sua legenda promoveu nos últimos anos.

Declarado cético sobre a mudança climática e ferrenho partidário de reduzir a imigração, Nuttall assumiu a liderança do Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP) após a renúncia de Nigel Farage, poucos dias após a vitória do "Brexit" no referendo de junho de 2016.

A saída de Farage abriu uma dura batalha pela sucessão no UKIP. Steven Woolfe, um dos favoritos, terminou no hospital após uma briga com um companheiro, e Diane James, designada como líder em setembro do ano passado, renunciou ao cargo após 18 dias diante das pressões da velha "guarda".

Nessas águas revoltas, Nuttall conseguiu força para assumir as rédeas do UKIP em novembro, apenas cinco meses antes de a primeira-ministra, a conservadora Theresa May, convocar eleições gerais.

Segundo as pesquisas, a legenda populista pode passar dos 12,6% dos votos que obteve em 2015 - 3,88 milhões - para cerca de 5%.

As eleições municipais realizadas no começo de maio em Inglaterra, Escócia e País de Gales antecipam um cenário sombrio para o UKIP, que perdeu 146 vereadores que tinha eleito quatro anos antes.

À frente do partido diante dessas turbulências está um homem que pretende "substituir o Partido Trabalhista" no Reino Unido e tornar o UKIP a "voz patriótica da classe trabalhadora", segundo seu primeiro discurso como líder do partido.

Nuttall formou-se em história na Liverpool Hope University e se especializou na época eduardiana britânica (começo do século XX).

Ele entrou para o mundo da política em 2002, quando concorreu, aos 25 anos, pelo Partido Conservador a eleições municipais em Bootle (norte da Inglaterra). Em 2004, uniu-se ao UKIP e liderou um grupo local da legenda no noroeste da Inglaterra antes de sua carreira decolar definitivamente em 2009, quando foi escolhido europarlamentar. Em 2010, Farage o designou como seu "número dois", e um ano depois ele assumiu a direção política da legenda.

Criado em uma família católica na Liverpool da década de 80, onde o Trabalhismo dominava a cena política, Nuttall assumiu entre o seu ideário político a luta contra o "marxismo cultural".

Para o líder do UKIP, essa visão política "transformou o 'non sense' em aceitável e o senso comum em inaceitável", segundo ele mesmo relatou no seu blog pessoal.

Nuttall divorciou-se em 2011, após três anos casado. Ele tem um filho e costuma explicitar sua paixão pelo futebol - é torcedor do Liverpool e jogou nas categorias de base do modesto Tranmere Rovers.

O futebol provocou justamente algumas das controvérsias que agitaram os seus primeiros meses à frente do partido anti-UE.

O líder do UKIP teve que apagar de seu site em fevereiro referências a uma suposta carreira como jogador "profissional" e admitiu, além disso, que não tinha amigos entre os mortos na tragédia do estádio de Highbury, em 1989, como havi afirmado.

Nuttall também se viu obrigado a retirar das redes sociais uma colocação como membro da direção de uma organização educacional sem fins lucrativos.

Nuttall não fez parte do limitado grupo que acompanhou Farage aos Estados Unidos para parabenizar o republicano Donald Trump após a sua vitória eleitoral, mas defendeu as políticas do atual presidente americano.

"Nem o 'brexit' nem a vitória de Trump se explicam por um componente emocional, senão pelo estabelecimento da verdade. Ambos aconteceram porque as pessoas assumiram a verdade de que a classe dominante não estava atuando a favor dos seus interesses", afirmou Nuttall.

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