Scotland Yard reconhece "nível sem precedentes" de atentados no Reino Unido

Patricia Rodríguez.

Londres, 5 jun (EFE).- A polícia do Reino Unido admitiu nesta segunda-feira que a recente onda de atentados no país alcançou um "nível sem precedentes", enquanto investiga o entorno dos três terroristas que no sábado mataram sete pessoas em Londres e deixaram 48 feridos, dos quais 18 continuam em estado crítico.

A Scotland Yard - a polícia metropolitana de Londres (Met) - já identificou os autores do último ato de terrorismo que, em menos de três meses, comoveu o Reino Unido, após os ataques na região de Westminster em 22 de março - com um balanço de cinco mortos, mais o autor - e o de Manchester há duas semanas, que custou a vida de 22 inocentes.

Não obstante, por questões operacionais, a Met não divulgou nenhuma informação, nem qualquer detalhe sobre os agressores enquanto investiga se os mesmos faziam parte de uma célula mais ampla, mas afirmou que irá fazê-lo "o mais rápido possível".

A comissária-chefe da Met, Cressida Dick, encorajou hoje a população de Londres a não permitir que os terroristas os "impeçam de viver a vida" com normalidade, ao mesmo tempo em que admitia que as forças de segurança terão que se adaptar a uma "nova realidade" tendo em vista as frequentes atrocidades cometidas por jihadistas.

Cressida compareceu junto com o prefeito da capital, Sadiq Khan, no mercado gastronômico de Borough, que, assim como a Ponte de Londres, foi o outro "alvo" escolhido pelos agressores.

Primeiro, os três homens atropelaram com um furgão branco dezenas de pedestres na ponte, para, em seguida, esfaquear indiscriminadamente os cidadãos que se encontravam no mercado, que é muito popular entre os turistas.

A Scotland Yard reconhece que diante deste novo cenário convém fazer uma revisão "geral" no país da "estratégia, das táticas e recursos disponíveis" para lidar com esta ameaça.

Desde 2013, os serviços de segurança nacional abortaram 18 complôs que pretendiam realizar atentados em solo britânico, entre eles cinco ataques cuja execução estava prevista para semanas após o ataque suicida em Westminster no dia 22 de março.

Em uma entrevista com a emissora "BBC Radio 4", Cressida não descartou que essa nova maneira de atentar esteja "inspirando" outros extremistas a agredirem a população.

"A retórica que chega do (grupo jihadista) Estado Islâmico e de outras organizações encoraja as pessoas a agirem de forma solitária, a utilizarem métodos rudimentares. Sem dúvida, algumas pessoas que veem algo que, partindo de seu ponto de vista distorcido, parece bem-sucedido, podem se sentir inspiradas", observou a comissária-chefe.

O trabalhista Sadiq Khan, o primeiro prefeito muçulmano de Londres, se disse "furioso" pelo fato de os terroristas "terem usado" o Islã, a fé que ele professa, para "justificar" suas ações.

Khan reiterou que "a ideologia que (os agressores) seguem é perversa, está doente e não tem nenhum lugar no Islã", e assegurou que "Londres não se deixará amedrontar pelo terrorismo", depois que o citado grupo jihadista assumiu a autoria do ataque.

Khan convocou hoje na localidade central de Potters Fields Park, situada em frente à Torre de Londres, uma vigília na qual será guardado um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.

Faltando apenas três dias para a realização das eleições gerais antecipadas no Reino Unido, a primeira-ministra Theresa May enfatizou que o ocorrido não é só "um ataque contra Londres e o Reino Unido, mas também contra o mundo democrático".

Em um breve pronunciamento na residência oficial de Downing Street, após uma reunião com o Comitê de Emergência do governo, a líder conservadora revelou que o alerta para ameaça terrorista seguirá sendo "severo" no país, o segundo nível mais alto em uma escala de cinco.

Neste momento, os agentes seguem interrogando 11 pessoas - sete mulheres e quatro homens - que foram detidas no domingo, após terem colocado em liberdade um homem de 55 anos.

Como parte da investigação, os agentes fizeram diligências hoje em vários endereços dos bairros de Newham e Barking, no leste da capital, onde acredita-se que vivia um dos terroristas, segundo os meios de comunicação britânicos.

Entre os 48 feridos que tiveram que ser internados após a tragédia, 36 seguem hospitalizados, distribuídos em cinco centros médicos da cidade, e 18 deles estão agora em situação "crítica", segundo o último boletim oficial.

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