Tim Farron, a esperança liberal-democrata dos contrários ao "Brexit"

Leonardo Hernanz.

Londres, 5 jun (EFE).- O líder do Partido Liberal Democrata, Tim Farron, é o único candidato dos principais partidos que prometeu na campanha das eleições gerais do Reino Unido um segundo referendo com o qual os britânicos poderiam retificar a opção pelo "Brexit".

Além disso, Farron também é o único que já enfrentou nas urnas a primeira-ministra e líder do Partido Conservador, Theresa May, já que ambos concorreram no distrito eleitoral e reduto trabalhista de Durham North West nas eleições gerais de 1992.

Naquela ocasião, Farron, com 21 anos e recém-saído da universidade, ficou atrás de May, então com 36, mas nenhum dos dois conseguiu a cadeira em disputa.

Após várias outras tentativas, Farron foi finalmente escolhido para o Parlamento nas eleições gerais de 2005, conquistando para os conservadores o distrito de Westmoreland and Lonsdale.

Nascido em 1970 em Lancashire, no noroeste da Inglaterra, Farron filiou-se ao Partido Liberal aos 16 anos, após se unir primeiro ao grupo ecologista Greenpeace.

Ele foi um estudante muito ativo de Políticas na Universidade de Newcastle e se tornou o primeiro Liberal Democrata a ser nomeado presidente do sindicato de estudantes.

Torcedor do Blackburn Rovers, Farron usava o pouco tempo livre para jogar futebol e é também um amante da música.

Entre os seus ídolos figuram cantores como Joe Strummers, do grupo "The Clash", e o autor das "crônicas de Narnia", C.S. Lewis, que, como ele, se declara um cristão comprometido.

Após se formar em 1992, ano em que concorreu pela primeira vez ao Parlamento, Farron trabalhou como administrador na Universidade de Lancaster e no Saint Martins College durante mais de uma década, até ser escolhido deputado.

Farron casou-se com Rosemary Cantley em 2000. O casal tem quatro filhos, e a família vive no condado de Cumbria, no norte da Inglaterra.

Como político, seu estilo informal nos seus discursos e sua personalidade simpática e próxima o transformaram em favorito entre as bases dos liberais-democratas.

Dentro do seu partido, é conhecida sua inclinação para a centro-esquerda, sobretudo se comparado com seu antecessor, Nick Clegg, e outros que aceitaram postos ministeriais no governo de coalizão de 2010 com o Partido Conservador, de David Cameron.

Farron gostava de dizer em tom de piada que "não passou no corte" quando Clegg distribuiu os cargos entre os companheiros de partido, mas se tornou então presidente do grupo, posicionando-se como um "amigo crítico" da coalizão liberal-conservadora e construindo sua base de apoios entre os ativistas da legenda.

Ainda que tenha apoiado alguns dos cortes impopulares do Governo de coalizão, ele votou contra o aumento do preço das mensalidades universitárias, medida que foi devastadora para o Partido Liberal Democrata, ao descumprir uma das suas principais promessas eleitorais.

Nas eleições gerais de 2015, Farron foi um dos oito parlamentares que sobreviveram ao afundamento do seu partido, que caiu de 23% dos votos em 2010 para 7,9%.

Após a renúncia de Nick Clegg, Farron venceu as eleições internas para liderar o grupo com 56% dos votos, porque não tinha participado do governo de coalizão com os conservadores.

Quando a atual primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou eleições antecipadas para 8 de junho, Farron foi o único candidato a propor um segundo referendo sobre a saída do Reino Unido da UE.

No entanto, o auge histórico em filiados ao partido e a esperança de ganhar boa parte dos 48% do eleitorado que votou contra o "Brexit" no referendo não se traduziram em melhores expectativas de voto para 8 de junho.

Os resultados das eleições locais de 4 de maio foram decepcionantes, já que os liberais perderam até 42 vereadores, e as últimas pesquisas mostram um apoio entre 8% e 11%, números similares aos das últimas eleições de 2015.

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