Governo venezuelano iniciou diálogo com Leopoldo López, segundo chanceler

Caracas, 6 jun (EFE).- O governo do presidente Nicolás Maduro iniciou um diálogo com o líder opositor Leopoldo López, preso há mais de três anos em um presídio militar, informou nesta terça-feira a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez.

"Queremos informar que iniciamos um diálogo com o senhor Leopoldo López", disse a ministra de Relações Exteriores durante um ato com militares em Caracas, dois dias depois da divulgação de um encontro seu com o fundador do partido Vontade Popular (VP) na prisão militar onde cumpre pena.

A realização do encontro, do qual participou também o ex-chefe de governo da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e o prefeito do munícipio de Libertador, Jorge Rodríguez, foi confirmada no domingo por Lilian Tintori, esposa de López.

A opositora assegurou ontem que a medida de detenção domiciliar foi um dos assuntos apresentados a López durante esse encontro, mas ressaltou que o dirigente "jamais vai negociar sua liberdade", porque o mais importante é "a liberdade da Venezuela".

Rodríguez advertiu à esposa de López que está à espera que "voltem a dizer hoje que é mentira, porque o país inteiro saberá, através de cadeia nacional, a verdade a respeito".

"Não se pode ter um exercício da política, de forma tão pueril, tão imatura, tão irresponsável", acrescentou a chanceler.

López foi preso em fevereiro de 2014 e declarado culpado pela violência ocorrida durante uma marcha antigovernamental convocada então por ele e outros dirigentes na qual morreram três pessoas, o que abriu passagem para uma onda de protestos durante quatro meses que se saldou com 43 mortos.

Após ser sentenciado em 2015, o procurador acusador, Franklin Nieves, fugiu da Venezuela e assegurou que López era inocente e que tinha sido obrigado a fabricar provas contra ele.

Desde a sua condenação, o deputado Diosdado Cabello, um dos homens mais importantes do chavismo, pediu que López seja alvo de um novo processo, desta vez por homicídio, atribuindo-lhe a responsabilidade pelas mortes ocorridas após a marcha.

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