Morre aos 81 anos o comerciante de armas saudita Adnan Khashoggi

Riad, 6 jun (EFE).- O magnata e destacado comerciante de armas saudita Adnan Khashoggi, que fez fortuna com a venda de armamentos no Oriente Médio durante as décadas de 1960 e 1970, morreu nesta terça-feira em Londres.

O multimilionário, nascido em 1935, morreu esta manhã na capital britânica aos 81 anos de idade, segundo revelaram membros de sua família no Twitter.

Estes lamentaram a morte de Khashoggi e indicaram que foi "um símbolo patriótico, uma das personalidades árabes pioneiras e influentes nos eventos regionais e internacionais".

Khashoggi estudou na Faculdade de História da cidade egípcia de Alexandria e posteriormente na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, onde entrou em contato com homens de negócios.

Em seu país de origem, começou a trabalhar para o governo saudita no transporte de mercadorias e aproveitou as carências do exército saudita nos anos 1950 para ajudá-lo a transportar homens, equipamento militar e armas.

Posteriormente, assumiu a manutenção do aeroporto de Al Zahran, no leste da Arábia Saudita, e entrou em contato com empresas de aviação e armamentistas.

O site do jornal saudita "Okaz", bem como os portais "Sabaq" e "Al Weam", lembraram que Khashoggi foi representante de empresas americanas de armas e aviões na Arábia Saudita e todo Oriente Médio.

Fundou cerca de 60 empresas ao longo da sua carreira, algumas das quais têm sua sede em vários países do mundo, e desenvolveu boas relações com diferentes governantes nas décadas de 60, 70 e 80.

A partir da guerra do Iêmen nos anos 60 se converteu em um poderoso vendedor de armas competindo com as grandes companhias de armamento, ao mesmo tempo em que diversificou os negócios por todo o mundo que agrupou sob o nome de TRIAD, primeira sociedade multinacional com capital totalmente árabe.

Em 1986 passou por graves problemas de liquidez, mas conseguiu saldar sua dívida graças ao apoio do banco saudita National Commercial Bank of Jedah.

Naquele ano se viu envolvido no escândalo "Irangate" como centro de todas as transações de armas entre Estados Unidos e Irã, mas não foram encontradas provas que confirmassem seu envolvimento.

Um ano depois, em janeiro de 1987, voltou a ter problemas com a Justiça quando o juiz Jawn Sandifer, de Manhattan, ordenou o embargo de um apartamento, devido à falta de pagamento de US$ 2,2 milhões à empresa britânica Lonrho.

Acossado pelas dívidas, Khashoggi pôs à venda sua empresa mais rentável nos Estados Unidos, a refinaria Edgington Oil Co, momentaneamente suspensa pelos tribunais, ao mesmo tempo em que vendeu seus Boeing 727 ao sultão de Brunei, por US$ 19 milhões, e alugou sua vila de Mougins, na França, a Jean Claude Duvalier, ex-presidente do Haiti.

Em 1988 lhe foram confiscados 11 valiosos quadros que pertenceram ao ex-presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos, reivindicados pelo governo de Manila. Khashoggi garantiu tê-los comprado ao casal Marcos e vendido à empresa Interconsulting.

Um ano mais tarde, em 18 de abril de 1989, Khashoggi foi detido na cidade suíça de Berna, após um pedido de extradição dos Estados Unidos, onde foi acusado de ajudar o casal Marcos a acobertar o uso de milhões de dólares roubados do Tesouro das Filipinas, ainda que finalmente, em 1990, tenha sido absolvido por um júri nova-iorquino.

Em 2016, Khashoggi sofreu um ataque cerebral que lhe deixou prostrado em uma cadeira de rodas.

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