Talibãs rejeitam negociações enquanto houver forças externas no Afeganistão

Cabul, 6 jun (EFE).- Os talibãs rejeitaram nesta terça-feira o processo oferecido pelo governo do Afeganistão ao considerar que as negociações de paz "não têm resultado, nem significado" enquanto a presença de forças estrangeiras persistir no Afeganistão.

"Enquanto houver a presença de invasores estrangeiros, as conversas em nome da paz não têm resultado, nem significado", apontou o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, em um comunicado.

A reação dos talibãs, o principal grupo insurgente do Afeganistão, acontece depois que o presidente do país, Ashraf Gani, deu um ultimato ao grupo insurgente para negociar com o governo, mas se mostrou flexível ao oferecer a abertura de um escritório político no país.

Gani fez essa proposta durante sua intervenção na primeira reunião do Processo de Cabul, que foi lançado hoje na capital afegã com presença de representantes de mais de 20 países, da União Europeia (UE) e da ONU, como mecanismo para tentar estabelecer uma negociação de paz.

Mujahid indicou na nota que o Processo de Cabul não terá sucesso, pois os "mujahedins não se renderão diante do inimigo".

"Cada encontro para a continuidade dos invasores estrangeiros é inútil e não é aceitável para os afegãos", acrescentou o porta-voz talibã ao indicar que os cidadãos do país darão as boas-vindas a uma reunião para acabar com "a ocupação estrangeira".

A Otan terminou em janeiro de 2015 sua missão militar no Afeganistão, mas continua no país com um contingente de aproximadamente 13 mil homens em tarefas de assistência, capacitação e treinamento das forças afegãs.

Os Estados Unidos, que ainda esperam qual será a política adotada por Donald Trump para o Afeganistão, mantém em torno de 8.400 soldados no país, a maior parte deles integrados na missão da Otan e pouco mais de 2 mil efetivos em tarefas de luta antiterrorista.

O Processo de Cabul começou depois que a capital afegã sofreu na semana passada o pior atentado ocorrido no país nos últimos 15 anos, com 150 mortos e mais de 300 feridos.

A autoria do ataque, por enquanto, não foi reivindicada por nenhum grupo terrorista, mas as autoridades afegãs o vinculam com a rede Haqqani, ligada aos talibãs.

Os talibãs e o governo afegão mantiveram sua primeira e última reunião oficial em julho de 2015, mas o processo de paz ficou suspenso poucos dias depois que se soube da morte do fundador do movimento insurgente, o mulá Omar, ocorrida dois anos antes, e o grupo se negou a se sentar à mesa desde então.

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