Governo alemão aprova retirada de tropas de base na Turquia

Berlim, 7 jun (EFE).- O governo da Alemanha decidiu nesta quarta-feira retirar suas tropas da base de Incirlik, na Turquia, depois que o Executivo turco vetou a visita de deputados alemães aos soldados no recinto militar.

Após meses de tensões com a Turquia, a titular de Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen, confirmou hoje em um breve pronunciamento à imprensa os planos para transferir os cerca de 280 soldados alocados em Incirlik para uma base na Jordânia, para colaborar na luta contra o Estado Islâmico (EI).

Além das tropas, a Alemanha tem caças Tornado nessa base turca que participam de operações de reconhecimento e aviões para o abastecimento em voo, recursos "escassos" na coalizão internacional que realizam uma missão "muito importante" e cuja transferência exige "tempo", conforme reconheceu a ministra.

Segundo Von der Leyen, os Tornado deixarão de operar por entre dois e três meses e os aviões de abastecimento em voo por entre duas e três semanas, prazos que serão discutidos com a coalizão e, especialmente, com os Estados Unidos, para analisar "como cobrir o vazio" sem que surjam problemas.

A ministra da Defesa alemã se comprometeu a informar nas próximas semanas sobre essas conversas aos outros ministros de governo e ao parlamento, que não deverá autorizar um novo mandato para a transferência de tropas à Jordânia porque, quando aprovou a missão, não determinou em que base concreta elas seriam alocadas.

A base escolhida na Jordânia é a de Al Azraq, que já conta com tropas americanas, belgas e holandesas e onde, segundo comprovou Von der Leyen em uma recente viagem à região, contarão com o apoio das autoridades locais.

O governo alemão tomou a decisão de sair de Incirlik depois que na segunda-feira o ministro de Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, viajou para Ancara e fracassou na última tentativa de convencer as autoridades turcas para que permitissem as visitas dos deputados alemães.

O conflito em torno desta base começou no ano passado, quando Ancara proibiu a visita de uma delegação parlamentar pouco depois que o Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) aprovou uma resolução de condenação ao genocídio "armênio" que suscitou os protestos do Executivo turco.

A Turquia reiterou o veto este ano, entre duras críticas à Alemanha por dar asilo a pessoas vinculadas à rede do clérigo islamita Fethullah Gülen, a quem Ancara acusa de instigar a tentativa fracassada de golpe de Estado de 15 de julho do ano passado.

A retirada de Incirlik não representará a saída total das tropas alemãs da Turquia, já que também há um pequeno contingente de soldados na base que a Otan tem em Konya.

Sob direção da Aliança e não do governo turco, os deputados alemães não tiveram problemas, por enquanto, para visitarem Konya.

Além da disputa em torno de Incirlik, a tensão marcou nos últimos meses as relações entre Turquia e Alemanha, onde residem cerca de 3 milhões de cidadãos de origem turca.

Um jornalista germano-turco foi detido em fevereiro em Istambul acusado de fazer propaganda terrorista e, durante a campanha do referendo para a reforma constitucional organizado pelo governo turco, foram proibidos vários comícios de ministros turcos na Alemanha e o presidente Recep Tayyip Erdogan chegou a acusar Berlim de "práticas nazistas".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos