Parlamento da Turquia aprova acordo para enviar soldados ao Catar

Ancara, 7 jun (EFE).- O parlamento da Turquia deu sinal verde nesta quarta-feira ao envio de mais militares a uma base no Catar, após aprovar dois acordos com Doha, em um claro gesto de apoio a esse emirado em meio ao isolamento imposto por vários dos seus países vizinhos.

A assembleia geral da Câmara aprovou dois acordos com o Catar pelos quais as forças armadas turcas enviarão um contingente militar à base que já começaram a instalar e os oficiais turcos oferecerão formação e treinamento às forças de segurança catarianas.

Os dois pactos, assinados em abril do ano passado, mas então ainda pendentes de ratificação no parlamento turco, estavam há meses na agenda dos deputados, mas seu debate foi antecipado e realizado hoje com prioridade.

O plenário, dominado pelo islamita Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), respaldou com este gesto o emirado do Golfo, dois dias depois de a Arábia Saudita romper relações com Doha, um passo seguido por Bahrein, Egito e Emirados Árabes Unidos, bem como pelas Maldivas, Senegal e os Executivos que Riad apoia nos conflitos do Iêmen e da Libia.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou ontem o isolamento do Catar e prometeu "manter as relações", postura respaldada hoje por seu partido no plenário, frente ao ceticismo da oposição.

Vários deputados opositores expressaram seu desacordo, salientando que a antecipação da votação sobre o acordo bilateral, que a princípio era rotineira, seria interpretada como um gesto politico a favor de um lado no conflito.

Desde o ano passado, as forças armadas turcas mantêm um contingente de 88 militares em uma base catariana, integrado por 19 oficiais, 13 suboficiais e 56 soldados rasos, segundo dados divulgados em novembro do ano passado pela emissora pública turca "TRT Avaz".

O contingente turco já oferece formação aos militares do pequeno emirado, mas, após a ratificação do acordo hoje, se abre a via para que Ancara estabeleça formalmente uma base no Catar.

As forças armadas turcas planejam enviar cerca de 500 ou 600 soldados ao Catar no marco deste acordo, segundo explicou no mês passado o vice-secretário do Ministério de Defesa turco, Ihsan Bülbül.

Enquanto acontecia a votação, Erdogan estava reunido com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohamed Yavad Zarif, que viajou esta manhã a Ancara para uma reunião urgente centrada na crise do Catar.

Ainda que o motivo formal da ruptura da Arábia Saudita e seus vizinhos seja o suposto apoio do Catar a "grupos terroristas", a imprensa árabe dá como certo que por trás da escalada de tensões estão os gestos de aproximação de Doha a Teerã, o grande rival geopolítico de Riad.

Ainda que a Turquia seja uma boa aliada tanto da Arábia Saudita como do Catar, sempre manteve também uma boa relação de vizinhança com o Irã, tanto política como comercial.

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