ONU diz que mais de 230 civis foram mortos quando fugiam de Mossul

Genebra, 8 jun (EFE). - Mais de 230 civis foram assassinados quando tentavam fugir do oeste de Mossul, sendo 200 deles em apenas três dias da semana passada, informou nesta quinta-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que afirmou que tais ações são "crimes de guerra".

Nessa parte da cidade iraquiana o Exército enfrenta o grupo terrorista Estado Islâmico, que nos últimos meses perdeu espaço em várias ofensivas das forças de segurança, apoiadas pela coalizão internacional.

A ONU percebeu que conforme o Estado Islâmico ia perdendo território, os massacres de civis se multiplicaram, ainda que a estratégia habitual deste grupo desde que tomou o controle de Mossul, há três anos, seja a de utilizar os civis como escudos humanos.

O organismo apontou que de 50 a 80 pessoas morreram em 31 de maio em um bombardeio aéreo em Al Zanyili, uma área ao oeste da cidade também controlada pelo Estado Islâmico. O ataque ainda se está sendo investigado.

Já sobre as ações do Estado Islâmico, a ONU informou que em 26 de maio 27 pessoas foram executadas, entre elas 14 mulheres e cinco crianças, quem foram enterrados dois dias depois pelos vizinhos. No dia 1º de junho, o grupo jihadista assassinou outras 163 pessoas no bairro de Al-Shifa, perto de uma fábrica de bebidas, quando as vítimas tentavam se afastar dos enfrentamentos entre soldados e terroristas.

Os corpos foram abandonados no lugar, segundo a ONU, que indicou que ainda não contabilizou o total de desaparecidos.

"Atirar em crianças que tentam fugir com suas famílias... não existem palavras suficientes para condenar fatos tão horrendos", disse o alto comissionado da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

Ele pediu ao governo iraquiano para garantir que os responsáveis sejam julgados e paguem pelos seus atos, incluindo os casos de crimes que possam ter sido cometidos por membros do Exército iraquiano.

"O assassinato de civis e ataques premeditados contra pessoas que não estão participando das hostilidades constituem crimes de guerra", segundo a ONU.

Zeid também se dirigiu às forças iraquianas e à coalizão que a apoia pedindo que assegurem que suas operações respeitam as normas internacionais e que faz todo o possível para evitar a morte de civis.

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