Transparência Internacional aponta erros no caso Odebrecht na R. Dominicana

Santo Domingo, 8 jun (EFE).- O movimento dominicano Participação Cidadã (PC), braço local da Transparência Internacional, apontou nesta quinta-feira "erros injustificáveis" no inquérito sobre subornos da Odebrecht, caso pelo qual ontem foram detidos preventivamente oito dos 14 indiciados.

O juiz Francisco Ortega ditou a prisão preventiva contra oito políticos e empresários dominicanos, entre eles o ministro da Indústria, Temístocles Montás; o presidente do principal partido de oposição, Andrés Bautista, e o empresário Ángel Rondón, assinalado como a pessoa que recebeu e entregou os subornos.

Após esta decisão, a PC apontou hoje em um comunicado que, ainda que o inquérito do Ministério Público tenha apresentado "suficientes indícios" contra os indiciados, "foi notório o cometimento de erros injustificáveis que, ainda que não tenham afetado a solicitação realizada nem as investigações por realizar, ajudam a desacreditar, não só o caso mais importante do país, mas também o trabalho dos procuradores".

No entanto, ressaltou que o caso se encontra em uma etapa processual "que permite remediar qualquer erro cometido, pois o Ministério Público ainda conta com um prazo de pelo menos oito meses para completar a investigação e apresentar a acusação, cuidando para não cometer novos erros, e incluindo os responsáveis que ainda não foram identificados".

Para a PC "foi notória a exclusão de parentes de dois dos principais indiciados, com fatos descritos que os vinculam aos fatos investigados", mas os quais não identificou.

O movimento lembrou que a Odebrecht conseguiu a adjudicação no país de 17 obras, mas "chama a atenção" que o número de indiciados vinculados à contratação e aprovação em duas destas, que representam 5% da totalidade do investimento implicado, seja similar às outras 15, que representam 95%.

A PC também criticou que a Procuradoria Geral da República não tenha identificado senador e o deputado que supostamente receberam subornos para a obtenção e aprovação do financiamento no Congresso Nacional da termoelétrica Punta Catalina, construída por um consórcio liderado pela Odebrecht.

Além disso, criticou que os documentos recebidos do Brasil não apresentam a lista de todos os subornados, "e que foi objeto e justificação do pacto de impunidade assinado e homologado com a Odebrecht, cujo cumprimento não foi exigido pela procuradoria".

Mediante este acordo, a Odebrecht, que deverá pagar US$ 184 milhões, o dobro do que desembolsou em subornos, se comprometeu a revelar os nomes dos beneficiados, em troca de que seus funcionários não sejam julgados no país caribenho.

"As múltiplas implicações do escândalo Odebrecht revelam o nível de decomposição e corrupção do sistema partidário, o transbordado custo da política e a inoperância dos organismos de controle e controle (do país)", considerou a PC.

Ao mesmo tempo, considerou que os líderes locais, incluindo o presidente do país, Danilo Medina, e seus antecessores "não podem refugiar-se na exigência do respeito ao devido processo, que todos devemos preservar, e reconhecer a gravidade do escândalo que gerou tanta indignação na sociedade, à qual estão obrigados a pedir desculpas e atuar firme e decididamente para implementar reformas estruturais para conjurar a enorme corrupção e a impunidade que nos agoniam.

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