Ex-presidente dominicano chama prisões de caso Odebrecht de "show político"

Santo Domingo, 9 jun (EFE).- O ex-presidente da República Dominicana Hipólito Mejía classificou nesta sexta-feira como "show político" as prisões de acusados de corrupção no caso Odebrecht, entre eles dois de seus correligionários no Partido Revolucionário Moderno (PRM), os quais ele visitou nas dependências do Palácio da Justiça da Cidade Nova.

O ex-governante considerou "insólito" que no país "haja uma justiça assim".

Mejía fez estas declarações à imprensa após visitar o líder do PRM e ex-presidente do Senado, Andrés Bautista García, e o ex-vice-presidente executivo da Corporação Dominicana de Empresas Elétricas Estatais César Sánchez.

O juiz da Suprema Corte de Justiça, Francisco Ortega Polanco, decretou penas de prisão preventiva que vão de três meses a um ano para oito dos 14 acusados, entre eles o agora ex-ministro de Indústria e Comércio do governista Partido da Liberdade Dominicana (PLD), Temístocles Montás.

No caso dos membros do PRM visitados hoje por Mejía, Ortega decretou seis meses de prisão para Bautista, e para César Sánchez, três meses.

Além disso, foi determinada prisão domiciliar para dois dos acusados e fiança de 5 milhões de pesos (US$ 105,7 mil) para dois senadores do PLD e para um deputado do PRM, o principal da oposição.

Segundo o ex-governante, ele preferiu esperar que acontecesse a decisão das medidas de coerção para visitar os dois companheiros de partido, que estão à espera de serem levados para a prisão junto com os demais réus.

A construtora brasileira admitiu ter pagado US$ 92 milhões em propinas no país entre 2001 e 2014, período que abrange os mandatos de Hipólito Mejía, Leonel Fernández (2004 a 2012) e do atual governante, Danilo Medina, estes últimos do PLD.

Os pedidos de prisão foram feitos pouco depois de a República Dominicana receber do Brasil os dados sobre as propinas pagas pela Odebrecht no país, graças a um acordo entre o Ministério Público e a companhia, que deverá pagar US$ 184 milhões, o dobro do que deu em subornos para ganhar contratos de obras públicas entre 2001 e 2014.

Com este acordo de leniência, a Odebrecht se comprometeu a revelar os nomes dos beneficiados, em troca de seus funcionários não serem processados no país caribenho.

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