Ex-presidente dominicano qualifica detenções da Odebrecht como show político

Santo Domingo, 9 jun (EFE).- O ex-presidente dominicano Hipólito Mejía (2000-2004) qualificou nesta sexta-feira de "show político" as detenções dos acusados no caso Odebrecht, entre os quais há dois companheiros do Partido Revolucionário Moderno (PRM), a quem visitou nas dependências do Palácio da Justiça da Cidade Nova.

O ex-governante considerou "insólito que neste país haja uma justiça assim".

Mejía fez estas declarações à imprensa após visitar o presidente do PRM e ex-titular do Senado, Andrés Bautista García, e o ex-vice-presidente executivo da Corporação Dominicana de Empresas Elétricas Estatais César Sánchez.

O juiz da Suprema Corte de Justiça, Francisco Ortega Polanco, ditou penas de prisão preventiva que vão de três meses a um ano, para oito dos 14 acusados, entre eles o agora ex-ministro de Indústria e Comércio do governista Partido da Liberdade Dominicana (PLD), Temístocles Montás.

No caso dos membros do PRM visitados hoje por Mejía, Ortega ditou seis meses contra Bautista, enquanto que para César Sánchez três meses.

Além disso, foi determinada a detenção domiciliar para dois dos acusados e fiança de cinco milhões de pesos (US$ 105.700) para dois senadores do PLD e para um deputado do PRM, o principal da oposição.

Segundo o ex-governante, ele preferiu esperar que acontecesse a decisão das medidas de coerção para visitar os dois companheiros de partido, que estão à espera de serem levados para a prisão junto com os demais processados.

A construtora brasileira admitiu ter pagado US$ 92 milhões em subornos no país entre 2001 e 2014, período que abrange os Governos de Hipólito Mejía, bem como os de Leonel Fernández (2004-2012) e do atual governante, Danilo Medina, ambos do PLD.

As detenções no país aconteceram pouco depois que a República Dominicana recebeu do Brasil os dados sobre os subornos pagos pela Odebrecht no país, graças a um acordo entre o Ministério Público e a multinacional, que deverá pagar US$ 184 milhões, o dobro do que deu em subornos para ganhar contratos de obras públicas entre 2001 e 2014.

Com este acordo, a Odebrecht se comprometeu a revelar os nomes dos beneficiados, em troca de seus funcionários não serem processados neste país.

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