Argentina diz que caso Odebrecht precisa ser esclarecido 100%

Buenos Aires, 11 jun (EFE).- A vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, insistiu neste domingo que o governo "necessita" que o caso de supostos pagamentos de propina da construtora brasileira Odebrecht no país seja esclarecido "100%", ainda que envolva seus próprios funcionários.

"O presidente (Mauricio Macri) quer que isto seja absolutamente transparente e claro e que se houver alguém que tenha que pagar pelas consequências, que pague, não importa quem seja", afirmou Gabriela em declarações à rádio "Mitre".

Nesse sentido, a vice-presidente destacou que Macri sempre foi "contundente" e "claríssimo" desde que viajou ao Brasil para se reunir com o presidente do Supremo Tribunal e pedir que lhe fossem enviadas todas as informações do caso Odebrecht.

"Há uma vocação no governo de realmente fazer com que este assunto fique bem claro sobre a mesa. Não há temores de que haja um nome e outro", assegurou.

Para Gabriela, a Argentina se encontra em "pleno processo de mudança estrutural no sentido da corrupção" e é importante que os cidadãos fiquem "muito tranquilos".

"Não podemos nos dar ao luxo de pretender que esse projeto de país que estamos tentando gerar com prosperidade, com progresso, que tenha a ver com oportunidades de desenvolvimento, não acabe com a corrupção", afirmou.

Na Argentina, a justiça investiga o envolvimento da Odebrecht em irregularidades e superfaturamento na contratação de várias empresas por parte da estatal AySA, a maior companhia de serviços de distribuição de água e saneamento do país, para a construção de uma estação de tratamento em 2008.

A empresa brasileira admitiu em dezembro do ano passado ter pago no país cerca de US$ 35 milhões em propina em um esquema que envolve funcionários do governo atual e do anterior.

O projeto de trem Sarmiento - concedido a um consórcio composto por Odebrecht, IECSA, COMSA e Ghella Societa Per Azioni - também é investigado pela justiça desde janeiro deste ano, quando o jornal "La Nación" divulgou informações sobre supostas transferências que aconteceram menos de um mês depois do início das obras (durante o governo de Cristina Kirchner, 2007-2015).

De acordo com a publicação, esses pagamentos poderiam ser uma operação para impulsionar a obra através de propinas.

As acusações caem especialmente sobre o atual chefe da inteligência argentina, Gustavo Arribas, suposto destinatário das transferências, e Angelo Calcaterra, primo do presidente Macri, que dirigiu o Grupo Obras, Desenvolvimento e Serviços (ODS), do qual faz parte a construtora IECSA.

Segundo Gabriela, os "horizontes" e objetivos do governo não concebem a corrupção. Em linha com as críticas de Macri em ocasiões anteriores, a vice-presidente aproveitou para denunciar de novo a inação da procuradora-geral do país, Alejandra Gils Carbó, neste caso, porque, ao seu julgamento, era "a pessoa que deveria mobilizar" a investigação e não o fez.

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