Coalizão de ex-guerrilheiros vence eleições no Kosovo, dizem pesquisas

Belgrado, 11 jun (EFE).- Uma coalizão nacionalista liderada por ex-comandantes guerrilheiros ganhou as eleições legislativas deste domingo no Kosovo, o que poderia complicar ainda mais as relações com a Sérvia, segundo as primeiras pesquisas de boca de urna.

As projeções da emissora "Klan Kosova TV" indicam uma vitória, com 40,5% dos votos, da aliança formada por três partidos - PDK, AAK e Nimsa - que se apresentaram com o ex-comandante guerrilheiro Ramush Haradinaj no topo da lista.

Em segundo lugar estaria o ultranacionalista Vetevendosje (Autodeterminação), com 29,9%, seguido pela coalizão de partidos moderados liderados pela Liga Democrática do Kosovo (LDK), com 27,2%.

Se confirmados esses resultados, será notável o aumento da votação do Vetevendosje, que nas eleições legislativas de 2014 obteve 13,5% dos votos e que reúne candidatos de esquerda com posições ultranacionalistas e defende a unificação com a Albânia.

A participação do eleitorado foi de 41,5%, segundo a Comissão Eleitoral.

As eleições antecipadas realizadas neste domingo são o terceiro pleito legislativo desde que a antiga província sérvia de maioria albanesa proclamou em 2008 sua independência, reconhecida por mais de cem países, entre eles Estados Unidos e a maioria dos membros da União Europeia, mas não por China, Rússia, Espanha e Brasil, entre outros.

A Sérvia também não reconhece essa independência, e o longo diálogo de normalização das suas relações com mediação da UE obteve poucos progressos nos últimos dois anos.

A coalizão nacionalista que teria vencido foi batizada pela imprensa como "asa bélica", e seu líder é o ex-primeiro-ministro Ramush Haradinaj, que entre janeiro e abril esteve na França sob controle judicial por conta de uma ordem de prisão da Sérvia, que o acusa de crimes de guerra.

Por seu talento militar, Haradinaj é popularmente conhecido como "Rambo", e entre os albano-kosovares é considerado um herói pelo seu papel na guerra, enquanto que na Sérvia é tido como um criminoso.

A Sérvia assegurou que não desistirá de perseguir Haradinaj na justiça, o que pode afetar as relações entre ambas as capitais.

Para que Kosovo se aproxime da UE, Bruxelas exige que haja um acordo para dar mais autonomia aos municípios de maioria sérvia e que ratifique um acordo de demarcação fronteiriça com Montenegro.

No entanto, Haradinaj quer outro acordo fronteiriço com Montenegro, defende uma atitude mais dura com a Sérvia e pretende que Belgrado reconheça a independência de Kosovo para prosseguir o diálogo patrocinado pela UE, um pedido inconcebível para o governo sérvio.

Além disso, o líder da coalizão nacionalista pretende que os EUA se envolvam mais diretamente no processo de normalização das relações.

O acordo fronteiriço com Montenegro depende, em grande parte, que os cidadãos de Kosovo fiquem livres da exigência de visto para entrar na zona Schengen de livre circulação.

Kosovo é o único país dos Balcãs de cujos cidadãos ainda são exigidos o visto comunitário.

Outro problema urgente que o próximo governo kosovar enfrentará é a difícil situação econômica, com uma taxa de desemprego de 27% e com quase um terço da população vivendo na pobreza.

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