Ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli é preso nos EUA

Cidade do Panamá, 12 jun (EFE).- O ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli foi preso nesta segunda-feira em Miami, nos Estados Unidos, informou à Agência Efe sua advogada, Alma Cortés.

As autoridades norte-americanas notificaram Martinelli, que governou o Panamá entre 2009 e 2014, que ele é alvo de um processo judicial em seu país e que ficará detido até que os advogados paguem uma fiança, de acordo com a advogada do ex-presidente.

Cortés, ex-ministra do Trabalho de Martinelli e uma das suas mais próximas colaboradoras, disse que esperava se comunicar esta mesma noite com os advogados do ex-presidente nos Estados Unidos para saber "como ele está".

Nem os advogados nem Martinelli, muito ativos nas redes sociais, fizeram publicações sobre a detenção.

Só um dirigente do partido do ex-presidente, Cambio Democrático (CD), Rodrigo Sarasqueta, escreveu em seu Twitter: "A todos informo que não se alarmem, Ricardo Martinelli está bem. Depois de breve procedimento legal será posto em liberdade"

O ex-governante é alvo de um alerta vermelho da Interpol desde o dia 21 de abril solicitado pela Corte Suprema de Justiça (CSJ) do Panamá, que o investiga pela suposta intercepção de comunicações privadas durante a sua Administração.

Martinelli não retorna ao Panamá desde janeiro de 2015, quando a CSJ abriu contra ele o primeiro de uma lista de dez processos nos quais é investigado, em sua maioria, por suposta corrupção.

A notificação da Interpol é sustentada nos supostos delitos "Contra a Inviolabilidade do Segredo e do Direito à Intimidade (intercepção de comunicações sem autorização judicial)" e "Contra a Inviolabilidade do Segredo e do Direito à Intimidade (acompanhamento, perseguição e vigilância sem autorização judicial)".

Também por "Delito Contra a Administração Pública em diferentes formas de Peculato (peculato por subtração ou malversação) e Delito Contra a Administração Pública em diferentes formas de Peculato (peculato de uso)", de acordo com a informação oficial.

A Chancelaria do Panamá solicitou aos EUA em setembro do ano passado para deter e extraditar Martinelli, a quem a CSJ quer interrogar sob a acusação de ter ordenado a intercepção das comunicações de quase duas centenas de pessoas quando foi presidente.

Em abril, o Órgão Judicial do Panamá publicou em dois jornais americanos a notificação para o ex-presidente sobre a audiência de imputação de acusações deste processo judicial, pautada para o dia 10 de maio.

Como o político não se apresentou, a audiência foi adiada para o próximo dia 14 de junho, para dar uma nova oportunidade.

Meios locais no Panamá indicaram nesta segunda-feira que a detenção de Martinelli em Miami aconteceu depois que foi negada ao ex-presidente uma solicitação de asilo.

Dois filhos do ex-presidente também têm contra eles alertas da Interpol, devido a sua ligação com o caso dos subornos da Odebrecht. EFE

ev/ma

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