Mais de 1,5 mil pessoas são presas na Rússia em protestos contra o governo

Moscou, 12 jun (EFE).- Milhares de pessoas foram detidas nesta segunda-feira na Rússia, a maior parte em Moscou e São Petersburgo, em protestos contra a corrupção no governo convocados pelo líder opositor Alexei Navalni.

Na falta de números oficiais de detenções, o portal de notícias "OVD Info" disse que apenas em Moscou foram presas 750 pessoas, e em São Petersburgo, 900.

Navalni, que pretende concorrer às eleições presidenciais em 2018, convocou manifestações em mais de 200 cidades de todo o país contra a corrupção nas altas esferas do poder, o que a ONG que dirige denuncia sistematicamente.

Em Moscou, ele havia conseguido a autorização da Câmara municipal para realizar uma passeata de protesto, com concentração na avenida Sakharov, no nordeste da cidade, mas ontem à noite, menos de 24 horas antes da realização, mudou o lugar e pediu a seus apoiadores que fossem à rua Tverskaya, no coração de Moscou.

As autoridades consideraram a mudança como uma provocação, e o Ministério Público alertou que as pessoas poderiam comparecer ao local para "passear" juntos com as milhares de pessoas que comemoravam hoje o Dia da Rússia, mas "sem levantar cartazes nem gritar palavras de ordem".

O líder opositor não conseguiu não chegar até o local do protesto, já que foi detido em frente a sua residência, segundo sua esposa informou no Twitter.

Porém, milhares de pessoas, em sua maioria jovens, atenderam ao chamado de Navalni e se somaram ao protesto, inclusive cantando músicas contra o presidente do país, Vladimir Putin.

"Rússia sem Putin" e "Putin ladrão" foram alguns das expressões de ordem mais gritadas pelos participantes, que também exibiram cartazes com inscrições como "A corrupção está roubando nos futuro".

Centenas de policiais entraram em ação para reprimir a manifestação não autorizada e começaram a realizar prisões, em muitos casos com uso de força e de maneira indiscriminada.

Entre os detidos estavam vários correligionários de Navalni, inúmeros jovens e até um jornalista da Agência Efe em Moscou que cobria a manifestação. Ignacio Ortega foi colocado em um camburão policial com dezenas de pessoas e levado a uma delegacia, onde após ser identificado foi posto em liberdade.

Vladimir Chernikov, chefe do departamento de polícia de Moscou, que tinha alertado contra qualquer tentativa de alterar a lei e a ordem, afirmou após as prisões em massa que a situação ficou "sob controle".

Ainda de acordo com ele, o ato foi "100% uma provocação" e que havia apenas 5 mil manifestantes pró-Navalni, em meio a centenas de milhares de moscovitas que participaram, no mesmo local, do festival popular organizado pelo Dia da Rússia.

Já em São Petersburgo, no Campo de Marte, cerca de mil pessoas foram detidas por participarem de outro protesto não autorizado com o tema "Queremos respostas".

Em outras cidades russas houve manifestações convocadas por Navalni que terminaram sem incidentes, embora em alguns casos com detenções.

Os organizadores queriam que a jornada de protestos de hoje tivesse a mesma magnitude dos que aconteceram em 26 de março, quando aconteceram as maiores manifestações desde o retorno de Putin ao Kremlin, em 2012, e que tinham como alvo o primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, a quem Navalni acusa de enriquecer ilicitamente com o cargo.

Com as suas ações, Navalni pretende "apoiar os pedidos de investigação de casos de corrupção de dirigentes de alto escalão na Rússia (...) e criar uma atmosfera de tolerância zero para a corrupção em qualquer uma das suas formas".

Segundo seus assessores, o líder opositor tem intenção de prosseguir sua campanha às eleições presidenciais de 2018, apesar de ter sido privado do direito de apresentar sua candidatura após ser condenado por fraude.

Analistas políticos russos consideram que Navalni é o único candidato que poderia representar alguma ameaça nas urnas a Putin, que previsivelmente tentará a reeleição.

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