Populistas são expulsos de governo finlandês após giro para extrema-direita

Helsinque, 12 jun (EFE).- O primeiro-ministro da Finlândia, Juha Sipilä, e o líder conservador Petteri Orpo chegaram nesta segunda-feira a um acordo para romper a coalizão tripartite com o partido populista Verdadeiros Finlandeses, devido ao giro para a extrema-direita dado por esta legenda com a eleição de sua nova diretoria no último sábado.

Sipilä e Orpo, atual ministro de Finanças, tiveram hoje uma reunião de duas horas com o novo líder populista, o eurodeputado Jussi Halla-aho, para analisar a possibilidade de manter a atual coalizão governamental durante os dois anos que restam de legislatura.

Ao término da reunião, os líderes centrista e conservador constataram através do Twitter que "não estão presentes as condições necessárias para continuar a cooperação com os Verdadeiros Finlandeses dirigidos por Halla-aho".

Sipilä e Orpo convocaram nesta tarde os seus respectivos grupos parlamentares para que estes referendem a expulsão dos populistas da coalizão tripartite e analisem as diferentes alternativas para evitar a convocação de eleições antecipadas.

Segundo os analistas, a opção mais viável poderia ser a entrada no Executivo dos dois grupos minoritários do Eduskunta (parlamento finlandês), o Partido Popular Sueco e o Partido Democrata-Cristão, criando uma coalizão que contaria com 101 das 200 cadeiras.

Aproximadamente 2 mil delegados dos Verdadeiros Finlandeses realizaram um congresso no sábado em Jyväskylä, no centro do país, para renovar a executiva e escolher a um novo presidente, sucessor do fundador e líder histórico Timo Soini.

Os populistas se inclinaram claramente pelo apoio aos candidatos da ala de extrema-direita e xenófoba do partido, e elegeram por ampla maioria Halla-aho, que foi condenado em 2012 por publicar em seu blog opiniões racistas e anti-islâmicas.

Entre outras afirmações, o novo líder populista escreveu que os muçulmanos são propensos à pedofilia e que os somalis - o maior grupo de refugiados na Finlândia - são a escória da África e pertencem a uma raça inferior.

Também foram eleitos para ocupar cargos executivos no partido outros três representantes do setor radical, entre eles o deputado Teuvo Hakkarainen, que também foi condenado por atacar muçulmanos através da internet.

Após vencer as primárias, Halla-aho pronunciou um discurso em defesa do endurecimento das políticas de imigração e da aproximação com outros partidos europeus de extrema-direita, como a Frente Nacional de Marine Le Pen, na França; os Democratas da Suécia e o Partido Popular Dinamarquês.

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