Anistia Internacional denuncia nova onda de ataques a albinos no Malawi

Nairóbi, 13 jun (EFE).- O Malawi registrou uma nova onda de assassinatos e ataques dirigidos a pessoas com albinismo nos últimos seis meses, apoiados por um sistema judicial deficiente, denunciou nesta terça-feira a Anistia Internacional (AI) no Dia Internacional da Conscientização sobre o Albinismo.

Desde janeiro de 2017, pelo menos duas pessoas com albinismo foram assassinadas e outras sete denunciaram delitos, como tentativa de assassinato ou sequestro, depois que não houve registro de incidentes durante os últimos seis meses de 2016.

"Apesar de uma legislação mais forte, incluindo reformas no Código Penal e uma Lei para abordar os ataques contra albinos, estamos vendo um alarmante ressurgimento de assassinatos e ataques contra este grupo vulnerável em 2017", disse o representante da AI no sul da África, Deprose Muchena.

A organização denunciou em um comunicado a lentidão do sistema judiciário no país que fez com que casos contra o albinismo não tenham sido resolvidos e que criou um clima de impunidade que "encoraja os autores destes horríveis crimes".

Em muitos países africanos segue enraizada a crença de que os ossos dos albinos têm poderes mágicos.

Por uma extremidade de um albino, se chega a pagar mais de 3 mil euros, enquanto que por todo o corpo a cifra ronda os 60 mil euros, segundo dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No seu relatório de junho de 2016, a AI expôs como as pessoas com albinismo eram "caçadas e mortas como animais" para vender os seus ossos a quem pratica medicina tradicional em países como Malawi e Moçambique para usá-los em poções mágicas associadas com a riqueza e a boa sorte.

Em 28 de fevereiro, uma mulher albina de 31 anos foi achada morta em Lilongwe (Malawi) com a mão, o peito e o cabelo cortados, e em janeiro um jovem albino também foi assassinado no distrito de Thyolo, no sul do país.

Além disso, a AI reportou pelo menos cinco tentativas de sequestro de albinos no Malawi e Moçambique, apesar de as autoridades de ambos países "terem a obrigação de garantir uma investigação rápida e eficaz sobre os desaparecimentos".

A organização denunciou que na maioria dos casos no Malawi, os crimes contra pessoas que perseguem albinos, em particular o assassinato, não chegam a ser julgados em um tribunal devido à falta de fundos e apoio legal para suspeitos.

"Este aumento dos ataques mostra que os grupos (...) estão se aproveitando do falho funcionamento do sistema penal do Malawi. As autoridades devem tomar medidas decisivas para pôr fim a estes ataques de uma vez por todas", pediu Muchena.

Pelo menos 20 pessoas com albinismo morreram no Malawi desde novembro de 2014 e 117 sofreram ataques segundo a polícia, em um país que tem uma população albina de entre 7 mil a 10 mil pessoas. EFE

av/ff

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