Canadá reage a isolamento de Donald Trump e reduz dependência dos EUA

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 13 jun (EFE).- O Canadá começou a reagir ao crescente isolamento de seu principal aliado, os Estados Unidos, com uma série de políticas para reduzir sua dependência de Washington.

Após a surpresa inicial da eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, o Canadá se apressou em montar uma ofensiva diplomática, política e econômica. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, modificou seu gabinete e ordenou aos ministros que estabelecessem, o mais rápido possível, vínculos com os principais nomes do novo governo americano.

O principal objetivo era garantir que as ameaças de Trump de romper o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN), que inclui Canadá, México e EUA, não se transformassem em realidade. E, na pior das hipóteses, que seu país não se tornasse outra vítima da retórica de Trump, como aconteceu com o vizinho do sul.

As viagens para os EUA de ministros de Trudeau e do próprio premiê se multiplicaram rapidamente e, por enquanto, a ofensiva funcionou: Trump praticamente se esqueceu do Canadá e publicamente possui um bom relacionamento com o político canadense.

Mas, agora, quase seis meses após a chegada de Trump à Casa Branca e diante do isolamento dos Estados Unidos, Trudeau deu novas ordens aos seus ministros, desta vez para se distanciar das políticas internacionais do parceiro e, em alguns casos, preencher o vazio criado.

Em quatro dias, o governo canadense emitiu três novas linhas de política externa, defesa e direitos humanos que se confrontam diretamente com o quadro politico que os republicanos e Trump estão começando a armar em Washington.

Não é coincidência que Ottawa tenha emitido suas novas políticas depois que Trump concluiu sua primeira viagem ao exterior, onde atacou seus parceiros da Otan, minou a aliança militar ao não apoiar o artigo 5 de mútua defesa e evitou criticar a monarquia saudita.

No último dia 6, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, introduziu uma nova ideologia que orientará a política externa destinada a reforçar a "ordem multilateral" mundial, uma das principais vítimas das novas políticas da Casa Branca.

Então, contra o isolamento americano, o Canadá "vai trabalhar com outros povos e países que compartilham nossos objetivos", entre os quais Chrystia citou multilateralismo, aliança com a Europa e a Otan, livre comércio e promoção dos direitos das mulheres.

E embora a chanceler canadense tenha agradecido aos Estados Unidos pela contribuição dada nas últimas décadas à paz e estabilidade global, a nova política externa canadense foi classificada por comentaristas políticos locais como uma "declaração anti-Trump".

No dia seguinte, foi a vez de o ministro da Defesa canadense, Harjit Sajjan, concretizar o aspecto militar da nova política externa do país.

Sajjan anunciou um aumento de 70% dos gastos militares do Canadá nos próximos anos, com o objetivo de reduzir a dependência de Ottawa dos EUA nas questões de defesa.

"Se nós somos sérios sobre o papel do Canadá no mundo, temos de ser sérios sobre o financiamento das suas forças militares", afirmou o ministro, antes de explicar que a meta é de que no período 2026-2027 o país destine 1,4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para gastos militares, em comparação com o 1,19% atual.

Depois, foi a vez de a ministra de Desenvolvimento Internacional, Marie-Claude Bibeau, anunciar uma nova política de ajuda internacional "feminista", pois o "Canadá acredita que o progresso na igualdade de gênero, além de promover a igualdade de direitos das mulheres e meninas, é melhor forma de reduzir a pobreza".

"Além do mais, o Canadá acredita que a sociedade é mais próspera, pacífica, segura e unida quando os direitos das mulheres são respeitados, e elas são valorizadas e capacitadas em suas comunidades. Portanto, a igualdade de gênero será agora um objetivo e se integrará em toda a ajuda internacional do Canadá", disse.

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