Entorno de Trump apresenta suas armas contra Robert Mueller

Raquel Godos.

Washington, 13 jun (EFE).- O futuro politico de Donald Trump está, em grande medida, nas mãos do ex-diretor do FBI Robert Mueller, agora encarregado de investigar a ingerência russa nas eleições de 2016, algo que não passa despercebido ao entorno mais próximo do presidente, que já começou a apresentar suas armas contra o procurador especial.

Após o cinematográfico testemunho de James Comey, a quem o próprio Trump demitiu do comando da polícia federal americana no início de maio por estar à frente das investigações sobre a influência russa, já são várias as vozes próximas ao multimilionário que deixaram no ar a ideia de que o presidente também demita Mueller.

O ex-presidente da Câmara de Representantes, e importante aliado de Trump, Newt Gingrich atacou Mueller sem receio em sua conta no Twitter.

"Os republicanos estão delirando se pensam que o procurador especial vai ser justo", escreveu o conservador, apesar de Mueller ser um dos ex-diretores do FBI mais prestigiados tanto para democratas como para republicanos.

De fato, o próprio Gingrich elogiou a escolha de Mueller como procurador independente para o caso no mês passado. No entanto, mudou radicalmente de opinião alegando que o investigador formou sua equipe com vários doadores democratas e ex-funcionários da Fundação Clinton, o que colocaria em dúvida sua imparcialidade.

"Não sei onde Mueller está com a cabeça. Como pode contratar alguém que trabalhou para a Fundação Clinton?", declarou Gingrich em entrevista ao jornal especializado "The Hill".

Mesmo assim, o ex-presidente da Câmara de Representantes enfatizou que não estava pedindo nenhuma ação específica contra Mueller, algo que não descartam outras pessoas do entorno do multimilionário.

Jay Sekulow, novo membro da equipe legal pessoal do presidente, se negou a descartar a demissão de Mueller por Trump em uma entrevista televisionada neste domingo, enquanto Chris Ruddy, amigo pessoal do governante, disse hoje que Trump já tem essa idéia na cabeça.

"Acredito que está considerando talvez pôr fim procurador especial. Acredito que está cogitando essa opção", disse Ruddy na emissora "PBS".

"Pessoalmente penso que seria um erro muito grande, ainda que não acredite que haja uma justificativa para ter um procurador especial (sobre o caso russo)", acrescentou.

O testemunho de Comey perante o Comitê de Inteligência do Senado esteve repleto de detalhes sobre as conversas de ética duvidosa que o também ex-diretor do FBI teve com Trump; no entanto, Comey deixou nas mãos do procurador especial do caso elucidar se estes incorreram ou não em "obstrução à Justiça".

Segundo relatou, o multimilionário lhe pediu abertamente "lealdade" quando ainda dirigia o FBI, bem como lhe solicitou que "deixasse passar" a investigação aberta sobre o seu ex-assessor de segurança nacional, Michael Flynn, por seus contatos com Moscou.

Ao tornar pública sua versão dos fatos, da qual Comey é consciente que não há testemunhas, recai sobre Mueller a responsabilidade de esclarecer o papel da campanha de Trump na interferência já comprovada dos russos nas eleições, mas também a atuação de Trump no desenvolvimento das investigações abertas.

A possibilidade de demitir Mueller não soa descabida para um Trump pouco acostumado às correções políticas, mas a decisão de tomá-la poderia ser contraproducente.

Como ponderou Peter Wehner, que trabalhou para os governos de Ronald Reagan, George H.W. Bush e George W. Bush, demitir Mueller seria "uma tática muito 'trumpiana', mas seria uma bomba politicamente".

"Seria uma bomba política e poderia estar muito perto de uma admissão de culpa", refletiu o republicano.

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