Na berlinda após eleições, May pede que deputados tenham espírito de unidade

Londres, 13 jun (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, pediu nesta terça-feira que os deputados do país tenham espírito de unidade nacional na primeira sessão parlamentar após as eleições da última quinta-feira.

"Em um momento no qual enfrentamos desafios complicados, vamos nos manter lado a lado no espírito de unidade nacional para que nosso país continue seguro e para construir um futuro mais sólido, mais justo e mais próspero para todos", afirmou.

A líder do Partido Conservador, que perdeu nas urnas a maioria absoluta que tinha até então na Câmara dos Comuns, alertou que há partes do Reino Unido que seguem divididas após o pleito.

"Dividido entre jovens e velhos, entre ricos e pobres, entre aqueles aos quais o futuro oferece uma sensação de oportunidade e aqueles que esperam ser brindados com problemas e preocupações", ressaltou a primeira-ministra.

No primeiro discurso na Câmara dos Comuns após o importante revés sofrido nas urnas, May disse que o "dever político" compartilhado pelos parlamentares é colaborar para "superar essas divisões".

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista, questionou a capacidade de May oferecer ao país uma liderança "forte e estável", como prometeu na campanha eleitoral.

"É obrigatório nessas ocasiões parabenizar a primeira-ministra que retorna à Câmara dos Comuns e assim o faço", disse Corbyn.

No entanto, o líder trabalhista alertou que o pacto que May negocia com os unionistas da Irlanda do Norte ameaça criar uma "coalizão do caos".

Estava previsto que a rainha Elizabeth II abriria de maneira formal a nova legislatura na próxima segunda-feira, com a leitura do programa do governo de May. No entanto, como a primeira-ministra ainda não garantiu apoio necessário, o discurso deve ser adiado.

As negociações entre o Partido Conservador e o Partido Democrático Unionistas (DUP), da Irlanda do Norte, para tratar de um acordo que permita que May governe em minoria estão atrasadas, segundo o primeiro-secretário de Estado, Damian Green.

May discursou depois de o conservador John Bercow ter sido reeleito sem oposição como presidente da Câmara dos Comuns pela terceira vez consecutiva. Os parlamentares permaneceram em silêncio quando o deputado "tory" Ken Clarke, o mais velho do Legislativo, questionou em voz alta se alguém se opunha à nomeação.

"Parece que estamos destinados a atravessar tempos que nos colocam à prova, e eu me ofereço como um presidente da Câmara dos Comuns já testado", indicou Bercow, que ocupa o posto desde 2009.

A posição unânime, no entanto, foi contestada há poucos meses, quando diversos deputados conservadores iniciaram um processo para submeter Bercow a uma moção de confiança por sua postura em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente da Câmara dos Comuns se opôs a um discurso de Trump no Palácio de Westminster - sede do parlamento - em uma futura visita do republicano ao Reino Unido.

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