ONU alerta sobre abusos a cidadãos de países envolvidos em disputa com Catar

Genebra, 14 jun (EFE).- O alto comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, mostrou nesta quarta-feira estar "alarmado" pela possível violação às liberdades fundamentais dos cidadãos catarianos, após o boicote ao Catar empreendido por vários países árabes, bem como aos eventuais abusos aos cidadãos destas nações.

"Está claro que as medidas adotadas são muito amplas e têm o potencial de afetar milhares de mulheres, crianças e homens, simplesmente porque pertencem a uma das nacionalidades relacionadas com a disputa", afirmou Zeid, citado em um comunicado.

Há duas semanas, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Bahrein e Mauritânia decidiram cortar todos os laços políticos e econômicos com o Catar e impuseram um bloqueio por terra, mar e ar.

O argumento para justificar este movimento é o suposto apoio do Catar a movimentos jihadistas e a grupos terroristas, bem como os seus laços com o Irã.

O alto comissionado assume que a Arábia Saudita, Emirados e Bahrein tinham estabelecido uma medida para lidar com os casos das famílias com membros de várias nacionalidades, "mas parece que esta medida não foi suficientemente efetiva para resolver todos os casos".

O alto funcionário denunciou que recebeu denúncias de cidadãos obrigados a voltar imediatamente ao seu país e famílias que não sabem como agir quando os seus membros têm distintas nacionalidades.

Além disso, as medidas também afetam pessoas com negócios em um país do qual não são cidadãos e estudantes em um país estrangeiro.

"Também estou extremadamente afetado por saber que nos Emirados Árabes Unidos e Bahrein estão ameaçando prender cidadãos que defendem o Catar ou rejeitam as medidas tomadas pelo governo, porque isto seria uma grave violação ao direito à liberdade de expressão ou opinião".

"Peço a todos os estados envolvidos que resolvam esta disputa como for possível através do diálogo, e não apliquem nenhuma ação que possa afetar o conforto, saúde, trabalho e integridade dos seus cidadãos, e respeitem as suas obrigações sob a lei internacional", conclui Zeid.

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