Kohl, um colosso identificado com a unidade da Alemanha e da Europa

Gemma Casadevall.

Berlim, 16 jun (EFE).- O ex-chanceler Helmut Kohl, chefe do governo alemão entre 1982 e 1998, morreu nesta sexta-feira aos 87 anos, identificado como o colosso que transformou a Alemanha dividida na primeira potência europeia e que deixou sua marca na União Europeia (UE).

Kohl, patriarca da União Democrata-Cristã (CDU), hoje dirigida por Angela Merkel, morreu em sua casa em Ludwigshafen, onde vivia afastado da vida pública junto à sua esposa, Maike Richter, 34 anos mais jovem e com quem dividiu a última etapa da sua vida.

Sua morte acontece 19 anos após ser sucedido no cargo de chanceler pelo social democrata Gerhard Schröder em 1998. Ainda assim, continuou usando sua voz, enquanto o seu estado de saúde permitiu, cada vez que sentia que seus grandes projetos estavam em perigo: a unidade alemã e a europeia.

Chanceler com mais tempo de permanência no poder na Alemanha (16 anos) e também à frente do CDU (25 anos), Kohl foi um político à moda antiga, acostumado a se impor com um murro na mesa, que se emocionava fácil ao primeiro elogio e com alguns contrastes no final de sua trajetória.

Entrou para a história como o arquiteto da reunificação alemã, enquanto para alguns de seus compatriotas foi o "Die Birne" -"a pêra" ou "a lâmpada"-, apelido que ganhou tanto por sua obstinação como pela forma do seu corpo, com os seus 1,93 metros de altura e aproximadamente 130 quilos.

Nascido em Ludwigshafen (Renânia-Palatinado) em 3 de abril de 1930, foi um homem de pensamento monolítico, que teve que lutar contra o rótulo de político de províncias.

Entrou na CDU em 1947 e esse foi o seu único partido até a sua morte. Em 1958, concluiu doutorado em Ciências Políticas, Direito e História, época na qual assumiu a direção da juventude da CDU para assumir depois a liderança do partido na Renânia-Palatinado.

Em 1976, se tornou deputado no Bundestag e depois foi chefe do grupo parlamentar conservador, até que em 1982 chegou à Chancelaria aproveitando uma crise do governo do social democrata Helmut Schmidt.

Quatro ministros liberais, aliados do governo, votaram a favor da moção de censura planejada pelos conservadores e Kohl assumiu a Chancelaria.

Schmidt, "o outro Helmut", lhe estendeu a mão na sessão parlamentar que o derrubou, mas nunca mais voltou a falar com Kohl.

Um ano depois, Kohl foi envolvido no escândalo "Flick", no qual foi acusado de ter recebido ilegalmente fundos da empresa de mesmo nome, caso obscuro que nunca o abandonou completamente.

Em 1989, com a revolução pacífica após a Cortina de Ferro, chegou o seu momento histórico.

Assumiu como seu o grito "Wir sind das Volk", ou "Nós somos o povo", com que os cidadãos da República Democrática Alemã (RDA) exigiam democracia ao rachado regime da Alemanha Oriental.

Em 9 de novembro de 1989, imediatamente após a queda do Muro de Berlim, lançou um "Plano de 10 pontos" para conseguir a unidade alemã, o que implicou convencer as potências aliadas que derrotaram Hitler que uma nova Alemanha forte não era uma ameaça.

Em 3 de outubro de 1990, foi assinado o Tratado de Unidade, com o qual o território da República Democrática Alemã foi absorvido pela República Federal da Alemanha.

Alguns meses depois, foi reeleito nas eleições gerais e se tornou o primeiro chanceler da Alemanha unificada.

A partir daí, concentrou seus esforços em seu outro projeto: a moeda única e a ampliação da UE.

Não chegou a liderar nem um nem outro, já que em setembro de 1998 sua era chegou ao fim, com a vitória de Schröder e a formação da primeira coalizão social democrata-verde.

Um ano depois, explodiu o escândalo de doações recebidas irregularmente durante anos no CDU, no qual o já ex-chanceler reconheceu a existência de contas secretas, mas se negou a revelar os nomes de seus doadores.

O caso o afastou do partido e de seu homem de confiança, Wolfgang Schäuble, que, envolvido no escândalo, renunciou à liderança da CDU para dar lugar a Angela Merkel.

A partir daí, Kohl passou por um período difícil, agravado pelo suicídio de sua esposa Hannelore em 2001, enquanto ele preparava em Berlim sua defesa frente ao escândalo financeiro.

Em 2004, veio a notícia de que o "Colosso do Palatinado" voltava a ter companheira, Maike Richter, após terem passado férias juntos nesse mesmo ano no Sri Lanka, onde foram testemunhas do "tsunami" atingiu esse país.

Casaram-se dois anos depois e, lado a lado, viveram uma lenta reconciliação com a CDU, ainda que marcada por suas ácidas críticas a Angela Merkel e outros companheiros a quem atribuía falta de visão europeia.

Na vida pessoal, seus últimos anos foram abalados pela má relação entre seus dois filhos e sua segunda esposa, a quem acusavam de manipular o patriarca.

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