Agências de 10 países apresentam primeiro projeto Global Spotlight

Julia R. Arévalo.

Redação Central, 19 jun (EFE).- Agências de notícias de dez países, entre elas a Efe, trabalharam em conjunto para um projeto mundial de investigação sobre o tráfico de migrantes, um negócio multimilionário que não deixa de crescer com fluxo de seres humanos que escapam de países em guerra ou condenados ao subdesenvolvimento.

"Uma indústria erguida sobre a miséria humana" é o título do primeiro projeto Minds Global Spotlight, que pretende colocar em evidência mundial um drama que deixou de ser notícia, salvo quando um naufrágio causa a morte de várias centenas de pessoas e pôde ser documentado graficamente.

Ou se é um menino como os nossos, bem vestido e morto em uma praia.

Das 20 agências membros do consórcio Minds International, dez somaram esforços para investigar conjuntamente quem são os milhares de seres humanos que arriscam a vida a cada ano para abandonar seus países e os motivos que os levam a fugir.

Também analisaram os perigos que assumem nas diferentes rotas, desde a extorsão e exploração das redes do tráfico, a travessia de desertos, rios fronteiriços ou a rota mais mortífera: a que hoje passa pelo Mediterrâneo.

As agências falaram com especialistas em migração e responsáveis políticos sobre as soluções aplicadas até agora pelos países receptores ou porta de entrada a continentes mais prósperos e seguros, como Espanha, México, Estados Unidos, Itália, Grécia, Áustria e Austrália.

Muitos migrantes só procuram um trabalho e uma vida melhor, mas muitos mais buscam simplesmente continuar vivos e topam com um mundo desenvolvido que chama de imigrante os que nunca conseguiram chegar e de refugiados aqueles a quem não dará asilo.

"Parece que ninguém encontrou uma resposta a esta crise humanitária", conclui em um comunicado a equipe editorial à frente do projeto. "É preciso pressionar os governos para que ajudem a resolver este desastre".

"Os jornalistas do projeto Global Spotlight descobriram que fechar fronteiras não solucionou o problema, apenas deslocou o sofrimento e condenou vidas ao limbo; homens, mulheres e meninos desesperados", acrescenta.

A Agência Efe concentrou seu esforço, principalmente, no continente onde se destaca como potência informativa, a América, segundo destaca seu diretor de Internacional, José Manuel Sanz.

Sua contribuição ao projeto inclui reportagens multimídias, crônicas e artigos sobre a situação do Triângulo Norte, a violência que assumem seus emigrantes na travessia pelo México, as rotas do trem de carga batizado como "La Bestia", os desaparecimentos no caminho ou na fronteira com os EUA e o muro que, ainda como promessa, está contendo o fluxo migratório para o norte do continente.

Junto a ela participaram a australiana "AAP", a francesa "AFP", a italiana "Ansa", a austríaca "Apa", a tcheca "CTK", a alemã "DPA", a portuguesa "Lusa", a suíça "SDA" e a finlandesa "STT".

"Não se trata de concorrência, de obter lucro ou de melhorar a imagem da marca. Trata-se de pessoas que fazem notícias por um bem coletivo" com alcance mundial, diz o diretor executivo do consórcio Minds, Wolfgang Nedomansky, para descrever o projeto.

Os textos, acompanhados de vídeos, fotos e infográficos, também compõem o site www.mindsglobalspotlight.com, em uma primeira versão em inglês.

A iniciativa acontece no décimo aniversário da Minds, uma rede internacional de agências focadas no desenvolvimento digital de seus membros, que compartilham o seu conhecimento e experiência e se comprometeram a desenvolver conjuntamente produtos e projetos estratégicos.

Os jornalistas de agência buscam todos os dias o seu espaço em páginas impressas ou digitais de jornais e revistas, boletins de rádios e noticiários de televisão, e sabem bem que, do fluxo de informações com que trabalham, só algumas poucas chegam ao destinatário final: os cidadãos.

Com este e com os projetos por vir do Global Spotlight, profissionais de agências de todos os continentes continuarão trabalhando para que não fiquem no esquecimento histórias como a da jovem nigeriana Miracle, que acredita que na Europa somos "todos bons, como Jesus", ainda que tenha sido resgatada das redes de prostituição na Itália.

Ou como a de Horacio, deportado dos EUA e que agora está sozinho em El Salvador, de onde sua família fugiu após ser ameaçada de morte por grupos criminosos.

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