Cuba critica Trump por reverter desgelo cercado de "terroristas"

Viena, 19 jun (EFE). - Cuba criticou nesta segunda-feira "o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por se cercar de terroristas" na sexta-feira passada em Miami para anunciar o endurecimento da política do seu país com a ilha, em um "espetáculo grotesco direto da Guerra Fria".

"Protesto perante o governo dos Estados Unidos por este atrevimento e o desafio a confirmar ou desmentir se estes terroristas que mencionei estiveram ao lado ou não do presidente Trump", disse em uma coletiva de imprensa em Viena o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.

Este é o primeiro comparecimento de um membro do governo cubano após o anúncio de Trump sobre uma ordem executiva para limitar as viagens de americanos à ilha e os negócios com empresas ligadas ao Exército de Cuba, dando um passo atrás ao processo de aproximação iniciado durante o mandato do seu antecessor, Barack Obama.

Para o ministro cubano, "foi ultrajante" ver o público "anexionista gritando 'USA USA'".

"Sem dúvida, a política de Trump marca um retrocesso nas relações entre os dois países. Adianto que estas medidas afetarão as relações dos Estados Unidos com a América Latina e prejudicarão sua política externa", acrescentou.

Segundo ele, "as medidas impulsionadas (por Trump) ignoram o apoio maioritário a suspensão do bloqueio nos Congressos (dos Estados Unidos), muitos deles republicanos, do setor empresarial, da imprensa, das redes sociais e da opinião pública".

"Novamente mal assessorado, Trump tomou decisões que beneficiam apenas interesses mesquinhos e um punhado de políticos", disparou.

Segundo o ministro, "parece infantil" acreditar que esta política "possa separar o povo das Forças Armadas e do Ministério do Interior".

"Ao contrário, estas medidas reforçam nosso patriotismo, nossa dignidade e nossa decisão de defender a nossa soberania", afirmou.

Sobre o processo de aproximação com Obama, "como foi demonstrado nos avanços alcançados nos últimos dois anos, Estados Unidos e Cuba podem cooperar e conviver, promovendo todo aquilo que beneficie ambos os povos".

"Cuba não fará concessões sobre a sua independência, nem aceitará condições, como nunca o fez. Como estabelece a nossa constituição, jamais negociaremos sob pressão ou ameaças", concluiu.

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